Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

Amora da Silva - Patriotismo embandeirado

Dizer isto é quase uma heresia, mas eu já estava farto de futebol! sobretudo
dos analistas e dos comentadores que, outrora bons jogadores de futebol ,
maltratam a língua! Não é por nada mas dói-me ver abusada a língua de
Camões, de Vieira e de Pessoa com aqueles conjuntivos erradamente acentuados
que o futebol, feito de desejos, não pode evitar. Não quero que me acusem de
antipatriota eu que desfraldei uma badeira genuína, ainda que de dimensões
modestas, comprei cachecol e boné, e vi todos os jogos da nossa selecção,
discuti como se fosse um expert em futebol as estrategias e tácticas do
treinador e até me zanguei com a minha querida esposa por querer servir-me o
jantar durante o jogo Portugal- Rússia. Simpatizei com Scolari e tive acesas
discussões com Portistas fundamentalistas - há quem diga que estavam à
espera que a selecção perdesse para abrirem o champagne, coisa que eu acho
de todo improvável- mas não gostei nada que apelasse a uma devoção a uma
senhora - a de Caravagio - que nos é completamente desconhecida. Até
poderíamos pensar que não ganhámos mesmo por ciúmes da senhora nossa que é
a de Fátima. Porque se os ciúmes são grandes entre os deuses, entre deus e o
diabo, eles são maiores entre as nossas senhoras. Porque está muito enganado
quem pensa que o futebol é um fenómeno profano: Os dirigentes de futebol são
papas, os estádios são catedrais, os que vão aos estádios proclamam a sua
fé, usam amuletos, entoam cânticos, vertem lágrimas, imploram as benção do
Além. Suspeito que se tornou o uso do "oxalá", pelas razões que todos
conhecemos, não há dirigente ou dirigido que ouse fazer discurso onde não
caiba a expressão "se Deus quiser". Com estas coisas não se brinca e se não
é ver o que aconteceu ao Jorge Andrade que gozou com o piedoso propósito do
Ricardo ir a pé a Fátima. E foi muito enternecedor ver o nosso Presidente de
voz embargada num esforço de contenção de lágrimas que não sabemos se eram
de alegria ou de tristeza, se é que têm de ser de uma coisa ou outra. Eu que
entendo pouco da alma dos outros fiquei a entender menos da minha, no que
respeita a patriotismo que penso ser uma coisa da alma. E tudo porque não me
senti mais português do que antes, não me comovi, muito menos até às
lágrimas, ainda que saiba que chorar faz bem. Mas vou seguir o conselho do
conselheiro-mor, Marcelo Rebelo de Sousa: A bandeira vai continuar lá na
janela do alto, onde foi colocada por uma espécie de imperativo nacional,
onde os elementos naturais - o sol, o vento a chuva - se encarregarão de a
descolorar, molhar e secar, rasgar ... desaparecer. Como acontecerá a todas
as bandeiras objecto da obediência do sábio conselho do professor. Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 12:23
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