Quinta-feira, 1 de Julho de 2004

Rui Silva - Crise não anunciada

Portugal está a viver uma crise sustentada por dois pilares contraditórios:
- Uma crise de euforia futebolística em que todos (ou quase todos) estão envolvidos, exteriorizando de forma inequívoca essa euforia, após a depressão dos jogos de preparação e contra a Grécia;
- Uma crise politica, no intervalo do futebol, em que todos (ou quase todos) estão surpresos e suspensos.
Sobre o futebol, hoje por hoje, o catalizador de uma parte significativa da população portuguesa, fica para os comentadores e jornais desportivos a sua discussão. Se não conseguirmos o que sonhámos, esperemos não sobrevenha a depressão profunda.
Sobre a crise politica, também se agitam “bandeiras”.
A sua resolução, todos são unânimes, passa institucionalmente pelo Senhor Presidente da República; entretanto, ficam os recados e as pressões de quem quer ver implementada uma determinada decisão.
É legítima a posição dos partidos, dos grupos de pressão, mas não é inocente. Nem poderia ser.
O nosso primeiro-ministro (ou nomeado ex-primeiro-ministro) vai assumir o cargo para que foi nomeado de Presidente da Comissão Europeia. Decisão pessoal, fruto, certamente, de profunda meditação dos prós e contras dessa aceitação.
Não se trata dum desígnio nacional, sejamos claros - trata-se de um desígnio pessoal, do gosto por aceitar desafios convicto de os poder superar. É uma ascensão numa carreira politica, profissão escolhida e, portanto, uma boa aposta pessoal. Talvez uma oportunidade única.
Portugal, os portugueses, não poderão ser especialmente beneficiados por essa decisão. Por definição, a Comissão Europeia é constituída por europeus que se comprometem em nome do projecto Europeu a balancear todos os interesses de todos os Estados, não apenas de um.
Como disse um comissário português, este lugar não é para defender Portugal, é para defender o projecto Europa.
Para defender os interesses de Portugal na Europa, estão os representantes do Governo Português nos diferentes fóruns europeus e talvez os Deputados Portugueses eleitos para o Parlamento Europeu.
Claro que o facto de ser um português o Presidente da Comissão dá prestígio a Portugal, não necessariamente benefícios.
Seremos injustos se não nos recordarmos que houve um Papa português, prémios Nobel portugueses ou de língua portuguesa, um Presidente da Assembleia-Geral da ONU, mas apesar disso certamente não nos recordamos dos benefícios que Portugal colheu dessas presenças. Os seus nomes, esses sim, ficarão nos anais da História, associados ao nome de Portugal. Mas não mais do que isso.
Portugal, os portugueses, terão de resolver a convulsão que tal decisão acarreta.
Como a vão resolver, não se sabe hoje. Legitimaram para isso o seu Presidente da Republica e para ele transferiram o seu poder de decisão, quando o elegeram, por sufrágio directo e universal.
Todas as opções em aberto para a decisão do Senhor Presidente da República (as faladas eleições antecipadas, a manutenção do actual Assembleia da Republica) são do ponto de vista formal, legal e constitucional legítimas e, naturalmente legais.

Cumpre-lhe, em nosso nome, decidir o que politicamente é melhor para Portugal. Não o que é melhor para o Partido A ou grupo B, mas o que melhor serve os portugueses, sobretudo os que não têm voz.
Em resumo, decidir se o programa político sufragado e ganhador nas últimas eleições legislativas deve continuar a ser implementado, quaisquer que sejam os seus intérpretes (ou talvez não) ou se se impõe mudar o programa em curso por vias constitucionais inerentes.
A decisão será, certamente, a mais sábia. Ponderada e segura e não ao sabor da sorte.
Aqui, não se pode confiar no lema:
- A sorte acompanha os campeões.
Para o futebol, sim.
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 17:43
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