Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

Júlio Marques - Causas

(...) Pacheco Pereira recém-chegado de terras da Rússia, por coincidência não programada, não esteve no Congresso do PSD porque não quis, porque se sentiria incomodado, que estaria a fazer num congresso assim?
Outros desejaram lá estar em lugar destacado a que por
inerência têm direito mas não quiseram para não incomodar outros. Também
nestas coisas os homens se distinguem e ainda bem, digo eu. Desta distinção
se reconheça a Pacheco Pereira a escolha das causas que valem, ainda que
necessariamente a seus olhos. Lobo Xavier, num estúdio da província (o Porto
é província?), ficou mais marginal. E o acordo continuado (coligação obriga)
às posições de Pacheco Pereira passaram a discussão mitigada do passado,
presente e futuro da coligação. Com uma substituição (demissão) de um
ministro inexplicada (inexplicável?) e com um congresso sem assunto, nem foi
preciso travar o ímpeto dialéctico (retórico?) de José Magalhães. Como
alguém diria, num propósito diferente, assim é fácil.
Por muito bom argumentador que se seja, há causas que não têm ponta por onde
se lhe pegue e assim fica difícil e, se tiver continuação, tornar-se-á
impossível. É que as coisas não estão a correr nada bem para a direita,
ainda que como esta afirma tudo por causa da esquerda: do passado que pesa
sobre o presente e do futuro de que se culpa já , se houver problemas de
segurança, uma outra esquerda. E Manuela Ferreira Leite já deu a entender
que também Deus será responsabilizado se vier a permitir que a esquerda
ganhe eleições e vier de novo a governar Portugal. Para já põe os pastores
do seu rebanho a pagar impostos, tal como as ovelhas que apascentam, mas se
o défice não melhorar não estará fora das suas intenções poder vir a exigir
uma quota das colectas arrecadadas em Fátima que poderia colocar em causa a
construção da modestíssima casa da mãe de Deus no santuário do mesmo nome.
Tal colecta seria, sem dúvida, ouro sobre azul, porque azul é que está a
dar. Mais o azul, que o ouro e os dourados fazem penasar em coisas
desagradáveis. E isto de cores como sabemos é muito importante porque com
elas se fazem as bandeiras que é quem vai à frente de todas as causas. Pena
é que o governo que tem ministros que não se sabe bem para que servem, não
tenha um que seja o porta-estandarte. Mas talvez não houvesse quem
aceitasse com medo de vir a ser decepado, porque o que já aconteceu pode
voltar a acontecer. De todo modo, seja-me permitido apontar o nome do homem
que governa a Madeira, que tem voz tronituante, é corajoso, não tem papas na
língua e tem um rumo para esta jangada à deriva, mas sobretudo porque estou
certo que todos os portugueses o adorariam ver cavalgando a burra de Sancho
Pança.
Falávamos de cores. Tem é de se estar atento para ver qual é a cor que está
a dar. O vermelho já contribuiu. Agora o que está a dar é o azul. E foi
comovente ver o nosso Primeiro-ministro a aplaudir como ninguém mais
aplaudiu a equipa de azul e branco. Parece que tinha uma visita de Estado ao
México mas que pelos vistos não era muito importante para o país, porque
como o mesmo costuma dizer " o que está em causa são os supremos interesses
da nação" . O meu amigo transmontano que é um esquerdista inconvertível,
sportinguista (im)penitente (e que por isso se juga moralmente superior e
justificado pelos factos ocorridos que provam que o sistema existia mesmo) e
que é do género de dizer as coisas sem rodeios, pão pão, queijo queijo, sem
rebuço, concluiu que o Durão ganhara as eleições anteriores à custa dos
vermelhos do Vilarinho e que quer ganhar as próximas à custa dos azuis e
brancos do Pinto da Costa. É claro que o meu amigo sportinguista tem todos
os defeitos e todas as virtudes dos ingénuos e diz o que deve e o que não
deve. Embora estime o meu amigo transmontano, mais por ser transmontano do
que sportinguista, acho que comete uma grande injustiça para com o nosso (de
todos os portugueses) primeiro ministro que, como todos se recordarão, era
um fraco líder de oposição e se tornou o melhor membro de todo o seu
governo, ele próprio um transmontano, embora transplantado e um
esquerdista convertido da militância maoísta para um partido sem ideologia,
fazendo assim bandeira de não ter bandeira nenhuma, ou de ter a bandeira que
lhe permita aguentar-se na cavalgadura, se não for em cavalo que seja em
burro, pois também ele dirá "Antes quero burro que me leve do que cavalo que
me derrube". E solípedes é o que não falta por aí.
Júlio Marques
publicado por quadratura do círculo às 17:28
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