Quinta-feira, 13 de Maio de 2004

JB Barroca Monteiro - Ex-combatentes

Dadas as pouco úteis análises sobre os ex-combatentes, todas politicamente correctas, género todos merecem muito, pergunto: onde está um módico de apoio às famílias dos mortos em combate? Vale mais uma pequena pensão aos vivos, pode valer um voto.
Setecentos milhões de euros destinados aos ex-combatentes, mais de 140 milhões de contos para aumento das pensões de reforma de algumas centenas de milhares de veteranos da guerra em África.
Agora que desde há dois anos tanto se tem tentado reduzir os excessos de consumo das famílias portuguesas, aí está uma medida com reflexos no consumo, de um governo dito anti-despesista, digna de uma prática ainda hoje tão criticada ao governo anterior, de sinal contrário ao actual e socialista. Uma medida socialista deste governo.
Trinta anos depois do final da guerra em África, quando alguns poucos milhares de ex-combatentes, deficientes das Forças Armadas* e marginais económicos, continuam abandonados e a viver miseravelmente, eis o milagre de fazer chegar a umas centenas de milhares um pequeno bónus nas suas pensões de reforma. Que não pediram. Porquê, para quê?
Desde logo porque é muito simpático aos políticos prometer durante as campanhas eleitorais, principalmente, mais facilidades e bónus. Depois porque num país de cidadãos de fracos recursos, é sempre agradável receber mais um acrescento nos seus rendimentos, um subsidio, sobretudo se proveniente do Estado.
Milagre maior, se numa conjuntura económica e financeira extraordinariamente difícil, com o Estado em dívida para com numerosos sectores sócio profissionais, o Governo da Nação consegue tal proeza. Entre a venda apressada do fabuloso património militar e a cativação de uns milhões de euros do OE, o crime económico consumado. Para quê?
Para cumprir uma das mais demagógicas propostas nascidas na AR** e promessas eleitorais – desnecessária, eleitoralista e despesista - afinal com todos os ingredientes que a actual maioria politica tanto criticou e continua a criticar ao governo anterior e à actual oposição. Que no fundo o Povo paga. E que pagará no futuro, se houver dinheiro e o défice o permitir. Com a esperança de que dure nos próximos anos a até ás próximas legislativas. Depois se verá.
Entretanto: Num país pobre e em tremendas dificuldades económicas, assim foram criadas grandes expectativas de melhoria de rendimentos aos ex-combatentes. Fruto da ilusão da política e da inconsciência económica de todos – responsáveis políticos e eleitores – que vão realmente receber os ex-combatentes? Um curto aumento nas suas pensões de reforma, que virá de onde? Dos bens que o Estado administra e que no fundo irá buscar também aos impostos das famílias portuguesas, de todas as famílias, incluindo as dos ex-combatentes. Estes e as suas famílias, irão alegre e agradecidamente, receber o que entretanto o Estado lhes tirou do bolso. That is the economy, stupid.
Para o futuro, prometer aos espoliados de África (retornados), algo de semelhante ao dos ex-combatentes. Votos assegurados.
*Entretanto, entretanto: Decreto – Lei nº 43/76 (Deficientes das FA). Determina apenas a criação de um grupo de trabalho para tratar da inserção dos DFA no mercado de trabalho. Até hoje... Para descanso de políticos e dos generais do aparelho.
** Com o beneplácito geral e universal da irresponsabilidade dos pais da pátria – os senhores deputados da República que temos, do «estado a que isto chegou», como disse há trinta anos, um dos mais simples e distintos capitães de Abril, cidadão e militar exemplar, Capitão Salgueiro Maia (paz à sua alma).
JB Barroca Monteiro, ex – combatente, Coronel Páraquedista
publicado por quadratura do círculo às 11:39
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