Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

Ricardo Nunes - Ex-combatentes (Resposta a Gabriel Rafael Guerra)

Escrevo-vos em resposta ao texto apresentado pelo leitor Gabriel Rafael Guerra, intitulado de “Ex-combatentes”, mas aproveito, desde já, para deixar os meus sincero parabéns à organização e intervenientes do programa.
O senhor Gabriel cai no erro de referir que todos os que lutaram nas guerras coloniais o fizeram a favor do antigo regime. Não sei se já serviu nas forças armadas portuguesas, mas concerteza que conhece aquilo a que a tradição chama o “juramento de bandeira”. Qualquer soldado que o faça, fica incubido através de juramento e beijo da bandeira de defender o seu país.
O senhor Gabriel observa, com pouca clareza devo confessar, a situação da guerra colonial sob um prisma actual. De valores actuais e de factos que, agora, todos damos como consumados.
A verdade é que, na década de 60, todos os territórios ultramarinos eram de facto, e como diz, considerados como Portugal. Os soldados que nesses territórios lutaram, com imensa coragem, nunca puseram em causa o facto de estarem a lutar por Portugal e pela nossa bandeira, isto independentemente das suas convicções partidárias e das suas ideias e pensamentos pessoais sobre o conflito.
O que vossa excelência propõe é que se esqueçam todos aqueles que, muitas vezes contra a sua própria vontade mas com um enorme sentido de dever, lutaram em África, por Portugal e por aquilo que a classe política pensava ser, na altura, o ideal.
Muito sinceramente sinto-me um pouco indignado com essas declarações pois se hoje todos reconhecemos a situação colonial portuguesa como não tendo sido a ideal, a verdade é que na altura muitos soldados deram a vida a lutar por aquilo que pensavam ser servir o seu país. E na altura era-o de facto.
A maior parte dos que se opuseram ao fascismo foram sem dúvidas heróis, pessoas de carácter, mas ignorar por completo quase 1 milhão de jovens portugueses que lutou em África parece-me irrisório. Ter lutado em África não significa que se apoiava o regime, nem sequer que se era apoiante do fascismo.
Por favor separemos as águas.
Ricardo Nunes
publicado por quadratura do círculo às 16:05
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