Quinta-feira, 1 de Abril de 2004

Luís Leonardo - Compreender Terrorismo

«É sobretudo o ódio de partido
Que ao extremo horror as coisas leva»
Goethe

Frei Bento Domingues dizia na edição do Público de 28 de Março que «os seres
humanos enganam-se quando evitam fazer perguntas incómodas». Levanta de
seguida uma pergunta: «Onde terá falhado a guerra contra o terror islâmico?»
Não sei o que Frei entende por perguntas incómodas e não sei se a que
levanta é, de facto, uma pergunta incómoda. Pressionados pelos
acontecimentos recentes, as perguntas que vemos fazerem-se são quase todas
de estratégia ou de táctica de combate ao terrorismo (e os ismos como
sabemos são todos sectários ou se quisermos são a perspectiva que se julga
visão total) o que significa que são perguntas secundárias em termos de
compreensão de uma realidade multicultural. A compreensão terá de passar
necessariamente por questões de carácter antropológico que nos conduzam a
uma visão científico-filosófica do homem, por um lado, e, por outro ao
entendimento histórico de como o Ocidente se superiorizou pela ciência e
pela técnica e como a partir daí manteve uma relação de poder dominante. Até
hoje sempre lhe foi possível, pela doutrinação, pela força pura e dura, umas
vezes, outras aliada à diplomacia, gerir situações de vantagem. Progredimos
em meios científicos e técnicos que aproveitámos para manter o poder ao
mesmo tempo que politicamente se instaura a democracia a par da proclamação
de valores ditos universais que na prática apenas se aplicam aos
proclamantes.
O fenómeno actual não é no essencial novo mas é-o na sua manifestação e nos
seus efeitos, nomeadamente, pelo acesso ao poder de destruição do
contrapoder. O mundo tornou-se demasiado pequeno e gostemos ou não do
vizinho ele está ali e ou aprendemos a viver juntos ou lutaremos numa luta
de morte. Claro que podemos construir muros, cercas de arame, fronteiras mas
sabemos de antemão o seu destino. Se houver paraíso todos vão querer lá
estar... a menos que se arranjem por aí uns infernos onde se coloque um
Lúcifer à frente com uma esquadra de anjos da morte. O Titanic também tinha
um compartimento para ricos e para pobres até ao dia em que se afundou.
Para todos (incluindo jornalistas e políticos) que têm dificuldade de
compreender o terrorismo porque a ideologia lhes enviesa o olhar seria de
máxima utilidade a leitura do capítulo X – OS RATOS - da « A Agressão uma
história natural do mal». Pode ser que descobrindo as nossas ancestrais
raízes possamos encontrar na cultura a sobrevivência a que parecemos
condenados pelos ditames da natureza.
Luís Leonardo
publicado por quadratura do círculo às 15:18
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