Quinta-feira, 18 de Março de 2004

Carlos Andrade - Sobre Outros Comentadores (resposta a Áureo Soares)

Como moderador do Flashback quase desde o início, mantendo esse papel na equipa de Quadratura do Círculo, a questão suscitada por Áureo Soares dá-me a oportunidade de reafirmar que o programa nunca pretendeu ser um pequeno espelho do Parlamento.
A escolha dos comentadores resulta do mérito pessoal e não da representação de partidos (embora também não tente esconder filiações que são públicas e notórias).
Se o critério fosse partidário, então José Magalhães teria sido obrigado a ceder o respectivo lugar no “velho” Flashback (o que não aconteceu), quando saiu do PCP.
Mais, quando o Flashback começou, nenhum dos comentadores pertencia ao PS ou ao CDS e Pacheco Pereira tinha acabado de se filiar no PSD.
Com o critério da representação partidária, como seriam possíveis declarações no programa que não teriam cabimento noutro contexto, verificando-se, até, divergências assinaláveis em relação aos discursos oficiais das forças a que estão ligados?
Se a representação fosse partidária, como explicar convergências ou divergências de opiniões, como as que ocorrem em cada emissão, mas insusceptíveis de reprodução no relacionamento entre as diversas organizações políticas a que pertencem?
Sem pretender esgotar a argumentação, creio que demonstrei que a Quadratura do Círculo escapa a lógicas de arrumação em que cada comentador corresponderia a um partido.
Outra questão que levanta é a da “maior abertura de discussão” que decorreria de um reforço vindo de outra força da esquerda parlamentar.
A questão é pertinente, mas não deixa de ser conjuntural (sentiria a mesma necessidade se o PSD tivesse ganho com maioria absoluta e fosse governo sozinho?), além de contrária à lógica do modelo.
Na verdade, uma das razões de sucesso do Flashback é a existência de um trio de comentadores fixos.
Prova do que afirmo está na reprodução, nomeadamente em Rádio e Televisão, deste modelo, em programas de variedade temática, incluindo a especialização em desporto, mas todos a merecerem uma classificação comum: “programas do estilo Flashback”, como tantas vezes se leu em reportagens sobre eles.
A experiência mostra que mais do que três comentadores prejudica a gestão de um programa de 45 minutos – facilmente surge a tentação do equilíbrio dos tempos de antena, em desfavor da vivacidade e do confronto de opiniões.
A manutenção dos comentadores torna o debate diferente: ninguém leva a mal se num programa, ocasionalmente, tiver menos tempo que os parceiros de debate, pois sabe que surgirão outros momentos em que sairá beneficiado, com naturalidade e sem recurso a cronómetros; a qualidade dos membros do painel está garantida; e o conhecimento mútuo dispensa prelúdios, levando rapidamente a discussão para os pontos essenciais.
Carlos Andrade
publicado por quadratura do círculo às 20:28
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