Segunda-feira, 8 de Março de 2004

Benedita Castro - Crianças deficientes

Resolvi escrever-lhes porque trabalho numa escola de ensino
especial e fiquei profundamente triste ao ouvi-los falar de uma forma tão
leve e pouco humana sobre a presença de deficientes como acompanhantes dos
jogadores no euro 2004.
Os meus alunos, todos eles com necesidades educativas especiais, poderiam
desempenhar essa tarefa como qualquer outra criança e seria para eles
muitíssimo gratificante se tal acontecesse.
Num país em que tanto se fala em integração e onde tão pouco se faz, num
país onde é mais importante que os alunos fiquem nas escolas de ensino
regular do que aprendam, porque o que conta são as estatisticas, num país em
que pouco ou nada se faz para que os deficientes possam ter a formação que
lhes permite tornarem-se cidadãos de pleno direito (com trabalho que os
torne felizes e realizados por se sentirem úteis), num país que precisa de
todos para se desenvolver e deita fora alguns, os menos favorecidos nem
sequer têm o direito de acompanhar jogadores de futebol.
Não era educativo para todos nós ver jogadores de futebol acompanhados por
deficientes que de certeza seriam a imagem da própria felicidade?
Acho que só não pensa assim quem não tem a sorte de contactar regularmente com
crianças portadoras de problemas pois não sabe o muito que elas enchem as
nossas vidas, o muito que têm para nos ensinar e quantas alegrias nos dão!
Ponham-se na situação de pais com filhos portadores de deficiência e pensem
se gostariam de ter ouvido o que no vosso programa foi dito.
Tenho a certeza de que não quiseram magoar ninguém ,mas quando um assunto
desta natureza voltar a surgir nas vossas conversas, que eu não perco,
pensem o que gostariam de ouvir dizer se estivessem a falar dos vossos
filhos.
Ouvir dizer que não faz mal excluir os deficientes porque os mais baixos
também não são escolhidos para jogar basquetebol, doeu-me muito pois, para
além de ter sido uma comparação muito infeliz, está errada, pois muitos
deficientes desempenhariam essa missão tão bem ou melhor que muitas crianças
sem qualquer tipo de problema.
Desculpem o meu desabafo e perdoem a minha falta de jeito para escrever, mas
não consegui deixar de o fazer, pois já não aguento ver os meus meninos a serem constantemente tratados de forma tão pouco humana e tão pouco interessada.
Benedita Castro
publicado por quadratura do círculo às 14:42
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