Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2004

J. P. Martins - Prestações televisivas, cannabis e empresários

É confrangedor (mas ao mesmo tempo delicioso...) verificar como o Dr. António Lobo Xavier se encontra "amarrado" nas suas observações pelas más prestações políticas dos elementos do seu partido. Claro que isso lhe tira margem de manobra, não podendo, por esse facto, utilizar a sua capacidade intelectual para intervir de forma crítica e isenta. É que há coisas que são indefensáveis... E isso faz com que a sua prestação televisiva desça a um nível que não tem comparação com a sua inteligência. Como líder de opinião, que é, deveria ser mais isento, mais crítico, mais independente, na forma como aborda situações que lhe são incómodas. A intervenção num programa televisivo deve ser um acto de prazer, de confronto de ideias, e não um autêntico flagelo, como parece ser, ultimamente, a situação do Dr. António Lobo Xavier.
Quanto à cannabis, acho que a posição do Dr. Pacheco Pereira não é correcta. Admiro a sua capacidade e honestidade intelectual, mas querer reduzir a iniciativa do BE a uma tentativa de dar um passo no caminho para a liberalização de drogas é muito redutora. Veja a parte boa da questão: diminuir o sofrimento dos doentes em fase terminal. E, a partir daí, e só nesse campo, criar condições legislativas para a colocar em prática. Porque, a aceitar-se este enquadramento, isso não implica outras medidas liberalizadoras. Aceite-se esta medida como positiva! É o velho problema da política portuguesa: uma medida, que poderia ser salutar e de aplaudir, é criticada, negada e delimitada negativamente só porque vem de outro quadrante político... São pessoas (e a possibilidade de diminuir o seu sofrimento) que estão em causa e não o facto de ser proposta pelo partido A ou pelo partido B.
Quanto ao Compromisso Portugal, gostei das prestações dos Drs. Pacheco Pereira e José Magalhães. Mas atenção: se não se pode negar a importância dos bons empresários, importantes para o desenvolvimento de Portugal, não se pode ser reducionista e considerá-los como únicos potenciais criadores de riqueza, como ouvi há dias no Expresso da Meia Noite. Então, qual o papel dos trabalhadores? Quem é que possibilita a criação de mais-valias a uma empresa? Serão só os empresários? É que há muitos (pequenos e médios) empresários que de gestão percebem muito pouco e que, enquanto pagam salários mínimos aos seus empregados, levam vidas faustosas, com bons carros e boas casas, em vez de fazer investimentos para melhorar o tecido produtivo de Portugal. Mas, infelizmente, há muitos empresários que não têm visão, não têm estratégia, não têm iniciativa empresarial. Aí é que está o cerne da questão. E, mais dia, menos dia, ou pedem subsídios ao Estado ou fecham as portas, deixando os trabalhadores na miséria. Vai uma aposta?
J. P. Martins (Leiria)
publicado por quadratura do círculo às 16:19
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