Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2004

José Carmo - Aborto (Resposta à posição de Diana Junot)

Penso que a sua argumentação é algo simplista e, baseando-se em slogans e ideias-feitas, ignora algumas subtilezas para as quais gostaria de chamar a sua atenção.
1.O aborto não é um simples acto de gestão do próprio corpo. Se reivindicar que tem o direito de extirpar o seu baço, ou o seu apêndice, não há nada a opôr - de facto é o seu próprio corpo e fará com ele o que entender. Mas, no caso do aborto, as coisa não são assim tão simples: a partir do momento em que o feto é viável fora do corpo da mãe (ainda que com recurso à tecnologia), ter o direito a eliminá-lo implica ter direito de vida ou de morte sobre um outro ser vivo. E isso não pode ser deixado ao livre arbítrio de ninguém.
2.O argumento da “vida miserável que o espera” é assombroso e perigoso. Em primeiro lugar, porque ninguém sabe de fonte certa que este ou aquele indivíduo vai ter uma vida miserável. Em segundo, porque aceitando tal filosofia, estaria sempre no direito dos pais (neste caso da mãe) eliminar os filhos deles dependentes, ao sabor de uma avaliação conjuntural sobre as suas hipóteses de felicidade. E garanto-lhe que a imensa maioria das tais milhares de crianças miseráveis que vagabundeiam sobre este mundo preferem de facto estar vivas. O suicídio é raríssimo nas sociedades ditas miseráveis.
Ou seja, a vida de uma pessoa não pode estar dependente da avaliação que outrem faz sobre o seu futuro mais ou menos risonho - e, levando ao absurdo a sua argumentação, porque razão então não juntar todas estas crianças miseráveis e deserdá-las desse futuro negro , com um tiro na cabeça? Na sua linha de raciocínio isso iria impedir que viessem a ser infelizes.
3. O recurso ao slogan da guerra dos sexos é ele próprio revelador. “Enquanto os homens não puderem parir” é uma expressão sem conteúdo. A natureza é como é, e nestas como noutras coisas, a biologia não se rende a vanguardismos retóricos. Com o “homo sapiens” é assim e nunca será de outro modo, salvo em situações experimentais. É a vida, como dizia o Engenheiro.
4. Para finalizar garanto-lhe que não sou católico, nem sequer professo qualquer religião e por isso não me assentam os bonés pronto-a-vestir.
José Carmo
publicado por quadratura do círculo às 19:13
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