Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2004

Diogo Guimarães Roquette - Directos Mórbidos

Parabéns pelo programa que eu já ouvia na TSF. É muito agradável assistir a uma discussão civilizada e inteligente.
É revoltante a forma como as televisões – para ganhar umas migalhas de “share” - exploram o pior do que existe na raça humana: o interesse de assistir em directo à morte um rapaz de 24 anos, a vontade de conhecer um miúdo que foi violado aos 11 anos, uma ponte que cai resultando em dezenas de mortos e que faz as delicias de uma audiência ávida de sangue e de accionistas ávidos de dinheiro, tudo sem sombra de decência.
Perguntar se as televisões agem desta forma porque o público é doentio ou se o público é assim porque as televisões o induzem a ser parece ser uma discussão estéril; é o mesmo que questionar o que é que apareceu primeiro se o ovo ou a galinha.
Tendo em conta o que foi dito esta semana pelo Senhor Presidente da República, num discurso feliz sobre as leis e o alerta que foi feito pelo mesmo de que estas não são “meras sugestões”, pergunta-se: para quando a feitura de normas que venham acompanhadas de previsões verdadeiramente punitivas e, assim, verdadeiramente dissuasoras das violações dos “diversos segredos”, que, infelizmente, acabam por ser compreendidos e aceites entre nós apenas como “meras sugestões”?
A propósito, tendo em conta o que se tem passado nos últimos tempos, será que a Alta Autoridade para a Comunicação Social ainda existe? Será que só aparece quando se trata de impedir a eliminação ou reestruturação do canal televisivo do Estado? Canal este que, por seu lado, acaba por ter um comportamento igual aos outros e, por isso, torna a sua existência despida de sentido como canal de referência ou de refugio. Será que aquela “autoridade” só aparece quando estão em causa interesses mais ou menos escondidos? Será esta a sua função? O que pensa aquela “autoridade”, se é que ainda existe, da entrevista e das conferências de imprensa, dadas em directo, por uma foragida com prisão preventiva decretada, isto logo após ter realizado com as nossas autoridades um feito de natureza verdadeiramente tauromáquica?.
Para quando o acordar das consciências para o facto que as tragédias não são um acontecimento meramente abstracto, que atrás delas estão pessoas que permanecem vivas e em sofrimento e que vêem esse sofrimento potenciado pelo facto de o mesmo ser amplamente falado e comentado em público por elementos que elas desconhecem e que, por isso, nada lhes dizem. O que seria de nós, comuns dos mortais, se tivéssemos de enterrar o pai, a mãe ou um irmão, dezenas, ou mesmo centenas de vezes, ao vivo, em directo ou em diferido, para satisfação de todos?
Diogo Guimarães Roquette
publicado por quadratura do círculo às 17:48
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