Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Paulo Loureiro - Taxas moderadoras

A nova polémica sobre as taxas moderadoras é um sinal claro de que o PS e o Governo da nação já estão a entrar na última e mais penosa fase da governação, só que, desta vez, e ao contrário da regra, o epílogo vai ser o capítulo mais longo da história. A questão não é sequer política, mas de princípios, carimbados de éticos, morais ou o que se lhes queira chamar. Estas derradeiras fases caracterizam-se, tipicamente, por um género de abordagem que tende a sublinhar o carácter mais ou menos descarado com que o governante ou a governanta tenta fazer de conta que não se pensa que o cidadão mediano sofre de profundos problemas cognitivos, e nisto, o actual ministro da saúde mostra-se imbatível. Vamos ter taxas moderadoras para moderar as operações e as estadias nos hospitais, que, afinal de contas, são aquilo que todos temos como sonho de vida. Segundo o Sr.Ministro, o valor rodará os 40 milhões de euros, que ajudam a sustentar as despesas. É uma “coisa” insignificante, que ajuda a pagar a manutenção do sistema todo. E é precisamente no significado desta insignificância que está o problema: é apenas uma gota num oceano que é o orçamento da saúde. Quando um ministro compara o valor das taxas moderadoras a cobrar (acrescidas às existentes) com o total do orçamento do ministério, está tudo dito, mas ao contrário do que aconteceu na Hungria, nem é preciso passar gravações clandestinas na rádio para se saber se alguns políticos pensam ou não aquilo que dizem, ou se apenas dizem exactamente aquilo que não pensam. Resta-nos ir a um psiquiatra para confirmar se estaremos ou não a ficar loucos, na esperança de que o problema esteja na outra parte! Mas o macro-enquadramento é ainda mais grave: um Estado pode dividir-se entre a máquina do Estado e “o resto”, e sem “o resto” não há máquina do Estado, porque “o resto” tem de alimentar a máquina e tem de se alimentar a si mesmo, até um ponto em que o IVA, o IA, IMV, IMI, o IPP, o IRS, o IRC e todas as outras fatias do grande bolo com que o Estado se lambuza (incluindo impostos ilegalmete cobrados, na mais completa e descarada violação da lei) tomam uma dimensão de tal ordem grande, que já não sobra nada para pôr a outra máquina a andar. Para pagar a gasolina vende-se o escape e o carro faz barulho, depois o pára-brisas e faz vento, depois os pára-choques e fica-se menos seguro, depois o volante e perde-se o rumo, e finalmente o velhinho motor, que é a única coisa que ainda vamos tendo. No fim ficamos com as rodas e com a preciosa gasolina e andamos tudo às costas, ou fazemos aquilo que já se consta que a Itália vai fazer ao Euro, ainda que seja uma insignificância para disfarçar um outro mal, muito maior e mais profundo, que se esconde por trás de umas quaisquer palavras de um qualquer primeiro-ministro amigo que nos quer meter no tal pelotão da frente, do Euro, da Expo, do TGV, da OTA, ou qualquer outro elevador da glória futura não aprovado em referendo, que sirva de poste para alçar a perna e deixar uma marca que os outros alguéns limparão, se deus assim o quiser. Pobres almas!

Paulo Loureiro

publicado por Carlos A. Andrade às 17:28
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