Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Pedro Santos - Segurança Social

Vou procurar demonstrar porque a Segurança Social está mal, os Portugueses desiludidos e a Educação a decair.
Sabem os Portugueses que um desempregado a receber subsídio de desemprego, caso queira produzir alguma coisa trabalhando umas horas perde esse mesmo subsídio? Acredito que muitos não saibam. É que se um trabalhador receber em média mais de metade de um salário mínimo nacional, que todos sabemos ser baixo, deixa de ser elegível para receber. Mas como está no desemprego e não faz contribuições, tem de as fazer daquilo que ganha. Se ganhar 200EUR/mês já é mais de metade, e ainda tem de pagar à Segurança Social. No fim fica sem Subsídio de desemprego e sem o dinheiro que ganhou. Assim, a opção é continuar à sombra do desemprego, pelo menos ganha algum. Desta forma, ainda se agudiza mais a problemática da Segurança Social.
Há ainda a situação dos professores, e perdoem-me voltar muitas vezes a este assunto, mas o Ministério da Educação diz que os professores não são precisos, enviando-os para o desemprego. Mas depois vai buscá-los aos centros de emprego para os colocar nas escolas outra vez, e se não aceitarem, perdem os seus direitos. Só coloco aqui uma dúvida: quem continua a pagar é a Segurança Social e os professores não recebem a justa compensação para a categoria profissional que desempenham e responsabilidade associada, e ao mesmo tempo não contando tempo de serviço. Será isto justo?...
As Autarquias continuam a promover concursos para ocupação de vagas para o enriquecimento curricular, o estado continua a gastar dinheiro transferindo fundos para as autarquias ao abrigo dos protocolos celebrados, e muitos professores continuam no desemprego e a ganhar. Já que esta actividade conta tempo de serviço, porque não vão as autarquias buscar os professores inscritos nos centros de emprego, comparar e contabilizar as horas que o seu subsídio de desemprego representaria se estivesse a trabalhar como docente numa escola, e proporcionar trabalho activo a quem está desempregado por esse número de horas?
Não sou um iluminado nestas questões da Segurança Social, mas penso que este meu pensamento é suficiente, talvez não para ser absoluto, mas para levantar dúvidas. Estas medidas poderiam reduzir algo nas contas gerais do estado, tendo em conta os sectores referidos (Seg. Social, Autarquias e educação)?

Pedro Santos

publicado por Carlos A. Andrade às 17:46
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1 comentário:
De José Alberto Ortigão de Oliveira a 4 de Outubro de 2006 às 23:57
A imagem de marca do 25 de Abril pode ser aquela da criança a pôr um cravo
na arma da revolução. Por ironia do destino, a mesma que escolheu outro país
para desenvolver as suas capacidades e se abrir ao futuro.

A nossa visão de um país sem rumo não tem razão de ser, muito menos para os
mais novos. Mas, esta linha derrotista cabe dentro de um arco temporal mais
ou menos largo, que começa muito antes dos nossos trisavós.

A nossa colagem ao estado a quem compete fazer tudo para nossa protecção e
conforto (desde os centralismos da monarquia, passando pelos da república e
os do estado novo até aos de hoje), o tardio arranque da indústria em
Portugal (agravado ao longo do tempo pelo receio do risco e do
investimento), a forte tendência para o facilitismo e para os esquemas
paralelos de interesse, corporação e corrupção (desde os orgãos de poder, à
Igreja, Justiça, Imprensa, etc..), que mais não fazem que reforçar a nossa
falta de coragem e decisão em relação aos nossos próprios interesses, uma
educação (básica e universitária) que se abriu a todos sem ter em atenção
métodos de ensino e reforçando a exclusão dos já excluídos (há escolas em
que se fazem turmas em função da qualidade dos alunos e em que os
professores mais motivados apenas vão para onde não há problemas), uma
classe dirigente tecnocrata demais, onde não existe por opção nossa e dos
próprios exigência e proximidade em relação ao dito cidadão que não consegue
fazer valer os seus direitos sem ter uma carga de trabalhos imensa. A nossa
constituição é letra morta, desde 1822 ("Direito à correspondência? Eu nem
sei ler!") até hoje (desigualdade perante direitos e deveres).

Cidadão que adoptou sempre uma postura de desconfiança a tudo o que é
especialista e entendido e um afastamento destes últimos que não conseguem
chegar ao diálogo com as massas. Um associativismo sindical que pretende
manter tudo como está e uma protecção das chefias contra tudo o que é
mudança. Uma forte ideia que se implantou que nada se consegue por mérito de
A ou B mas apenas por cunha. Em termos familiares, dificuldades de
compreensão de filhos para com pais e de pais para com filhos. A demora em
aceitar a igualdade de oportunidades da mulher em relação ao homem. Uma
resignação enorme em relação ao trabalho (Às segundas só se fala no tempo
que a semana demora a passar, apesar de "o trabalho ser muito importante e
blá, blá, blá").

Enfim...exigência, alegria, confiança e tudo o mais.


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