Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006

Pedro Santos - Médicos e interior

Estas minhas palavras servirão, na minha perspectiva, uma vez mais, para obrigar à reflexão individual sobre o estado do nosso país e das suas instituições. Trato hoje da problemática da saúde.
O nosso interior e os agregados populacionais fora dos grandes centros urbanos sem foi carenciado de médicos em número suficiente. Pela escassez de profissionais, quiçá pelo reduzido número de vagas, quiçá pelas elevadas médias de acesso, a capacidade de exercer pressão por parte da classe médica, quer sobre os diversos governos quer sobre a propulação, é muito elevada. Com o advento do espaço livre comunitário, outros profissionais puderam começar a "imigrar" para o nosso país. A acreditar nas expressões dos doentes atendidos por estes "imigrantes", os médicos estrangeiros são mais atenciosos e simpáticos, em suma, mais perto do doente que sofre, pois a dor de cada um não pode nem deve ser quantificada, e só cada um sabe o quanto lhe dói.
Procurando colocar um novo prisma sobre esta problemática, e vendo que quase todos são contra os diversos encerramentos em curso, apresento o seguinte: Advir que os doentes só estarão a 30 Km do hospital, e como tal é compreensível o encerramento, compreendam que para uma pessoa doente, 30 Km podem ser 1000, pois só quem está enfermo é que sabe. Se todos soubessem analisar quando é que o seu caso é uma urgência, eramos todos médicos e não precisávamos sequer do hospital. Agora imaginemos que duplicamos, ou até triplicamos, o número de doentes numa urgência, as 2 a 3 horas de espera podem facilmente transformar-se em 6 horas, a somar ao tempo de deslocação.  E isto tudo... "doente"!!. mas também, se não estava doente no início, ficarei, por certo, doente no fim.
Olhando a isto que expus, parece-me, e perdoem-me se assim não é, uma tentativa da classe médica de estancar a "imigração", pois com a concentração dos serviços, o problema do interior desaparece e dos agregados populacionais pequenos desaparece, pois não há centros de saúde nem urgências onde a populção pode clamar que são precisos profissionais do sector.
Um outro momento de reflexão pode acontecer: Para se ser médico em Espanha não é preciso ter as médias que são precisas cá, no entanto possuem a mesma qualificação profissional e desempenham o mesmo papel. O estatuto vem muitas vezes associado à impossibilidade de muitos acederem a uma profissão. Com a democratização da medicina, a forma como olhamos para os médicos muda drasticamente.
Posso estar errado, mas se quiser pensar assim, muitos dirão: "pode muito bem ser!".
Tudo isto e só uma reflexão duma pessoa que poderá perder as suas urgências e maternidade, e os locais mais próximos estarem a 42 Km.
Pedro Santos
publicado por Carlos A. Andrade às 19:15
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds