Terça-feira, 4 de Abril de 2006

Fernanda Valente - Passividade

No seu segundo discurso de 27 de Março, directamente do parlamento australiano, e fazendo parte de uma série de três que Tony Blair irá proferir sobre política internacional, ele chama a atenção para a passividade - que é uma forma errada de fazer política - dos Estados e respectivos governantes perante os problemas centrais que actualmente se colocam à Humanidade e que são, na sua essência, a pobreza e as assimetrias daí decorrentes geradas entre os povos, a mudança de clima e as suas consequências físicas provocadas pelo sobreaquecimento do planeta e, por último, o terrorismo ou a guerra de guerilhas versus uso cirúrgico da violência contra alvos civis indefesos. Apela, assim, a uma “forte aliança” entre nações e a uma política externa comum, pró-activa, de empenhamento e combate a estes flagelos que a todos nós diz respeito.
Na Europa, são em pequeno número os Estados que não sejam declaradamente narcisistas. Aceitam, a fim dela beneficiarem, a liberalização dos mercados e as políticas económicas comunitárias que servem os seus interesses, mas são contrários à evolução natural das mentalidades que resulta da interacção entre culturas e que se traduz num novo paradigma social e político a que a união dos Estados deu lugar. Na prática, temos um Sr. Jacques Chirac que abandona uma cimeira europeia em Bruxelas, porque um dos seus conterrâneos ousa usar da palavra em inglês, e, numa outra dimensão, um Estado hegemónico como é o espanhol que, pretendendo ignorar as leis do mercado aberto, ao abrigo de um patriotismo económico, resiste, com toda a veemência, à oferta pública de aquisição de um dos seus grupos económicos de referência do sector da energia, por um gigante alemão daquele mesmo sector, que, pelos recursos financeiros e potencial tecnológico de que dispõe, estaria, com esta fusão, em condições de criar o maior grupo energético do sul da Europa.
Constituem factores de imobilismo estas tomadas de posição, bem como a lentidão dos vários governos europeus em reformar as suas economias, nomeadamente no que diz respeito aos códigos do trabalho que, na generalidade, protegem uns e excluem outros através do trabalho precário dos contratos a prazo, e em que as manifestações contra o CPE em França representam a incapacidade dos governantes na gestão destas temáticas e são o palco da incompreensão por parte dos cidadãos, quando tentam obstruir o processo de liberalização dos mercados, promovendo o atraso do retorno em benefícios resultantes do aumento da competitividade, em igual grau de competências, que só uma economia aberta de mercado, liberalizada, poderá proporcionar.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 16:13
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