Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

João Gomes Gonçalves - Futecracia III

O planeta do futebol contínua imparável. O novo presidente de Liga, Loureiro II, esqueceu rapidamente o «Apito Dourado» e está muito preocupado com outro magno problema: o governo quer acabar com o regime privilegiado do IRS, de que beneficiam os jogadores do futebol profissional, chamado Regime Transitório e que vigora há 16 anos!
Segundo Loureiro II, os futebolistas exercem uma profissão de desgaste rápido, blá, blá, e nessa qualidade devem ter um regime especial de IRS e também de Segurança Social.
Existem muitas outras profissões de desgaste rápido, normalmente perigosas e, frequentemente, com salários de miséria, que não usufruem de qualquer benefício fiscal ou da Segurança Social: mineiros, pescadores, profissionais da marinha mercante, certas profissões da construção civil, etc., mas Loureiro II acha que os «meninos» do futebol, que à conta do dito, arranjam outros rendimentos suplementares, igualmente chorudos, merecem o carinho e a benemerência do Estado... à conta dos contribuintes.
Loureiro II é um homem do «sistema» e conhece o futebol como a palma das suas mãos, mas conhece muito pouco de impostos, a avaliar pelo exemplo que refere: “De acordo com dados fornecidos pelo Boavista , a SAD paga , em média, 600 mil euros por época de segurança social, 1,2 milhões de euros de IRS e 2,5 milhões de IVA... “Ou seja, num clube de média dimensão, ao todo são cerca de 4,4 milhões de euros de impostos...”
É de partir as pedras da calçada e, difícil, é imaginar como ainda há quem queira ser dirigente de clubes de futebol, mas vamos por partes porque as contas parecem não estar certas: dos 600 mil euros para a Segurança Social, cerca de um terço (200 mil euros foram descontado aos jogadores; os 1,2 milhões de IRS não custaram um cêntimo ao clube, são retenção na fonte aos salários dos jogadores, para entregar ao Estado; se o clube pagou 2,5 milhões de euros – como qualquer outra empresa – é porque teve receitas de muitos milhões de euros, mas como não pagou IRC, sobre os respectivos lucros, deduz-se que trabalhou para o boneco, porque foi mal gerida, ou porque o negócio não presta.
Como Loureiro II, além de monarca da Liga também é deputado (não suspendeu o mandato), ou anda muito mal informado sobre impostos, ou tem demagogia a mais, o que é normal no planeta do futebol.
Em post anterior referimos que o Congresso do Desporto, recentemente organizado pelo governo, tinha como objectivo arranjar uma «capa» para canalizar mais dinheiro para o futebol, pois as receitas geradas pelo Euromilhões subiram em flecha.
Ai está! No primeiro semestre de 2005, a Santa Casa transferiu para os clubes de futebol 600 mil euros, mas no primeiro semestre deste ano, com as novas regras, foram transferidos mais de dois milhões de euros (Semanário Sol, de 21 de Outubro).
Esta pipa de massa é justificada com uma nobre finalidade: destina-se a pagar a dívida dos clubes ao fisco, do famoso «Totonegócio», que nunca chegou a ser executada judicialmente, como manda a lei.
Qual é a empresa ou cidadão que não gostaria de pagar as dívidas ao fisco... com subsídios, a fundo perdido, do Estado!?
Esta subversão completa das relações do Estado com os contribuintes, que manda para as ortigas qualquer constituição, deveria ser julgada, como gestão danosa, no tribunal, não tem uma única voz crítica no Parlamento.
Mas esta tramóia tem outra face, como a deusa Juno dos romanos: constitui uma original forma de redistribuição, tirando aos necessitados – as receitas dos jogos sociais da Santa Casa deviam ser exclusivamente aplicadas em acções de assistência social – para dar aos perdulários!
Que todo este esbanjamento dos dinheiros públicos, mais o delírio dos 10 estádios para o Euro 2004, seja obra de governos do PS, é coisa de espantar. Depois disto, quando vir um porco a andar de bicicleta, já não lhe tiro o chapéu.
João Gomes Gonçalves
publicado por Carlos A. Andrade às 19:24
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