Terça-feira, 4 de Abril de 2006

João Gomes Gonçalves - Tráfico de armas

Segundo a lenda Sísifo, rei de Corinto, ambicioso e hipócrita, teria outros defeitos mais. Foi castigado pelos deuses a empurrar um bloco de pedra até ao cume de uma montanha, mas nunca consegui chegar ao fim, pois a enorme pedra voltava sempre a cair. O infortunado era obrigado a recomeçar, eternamente, o seu trabalho.
As histórias de polícia e ladrões parecem ser a versão moderna daquele castigo dos deuses: por muitos ladrões que prendam, surgem sempre novos amigos do alheio e, assim, a polícia parece condenada aos trabalhos se Sísifo.
“A operação desencadeada pela Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, contra a mais poderosa rede de tráfico de armas alguma vez detectada no nosso país, aponta para a participação de militares. A Polícia Judiciária Militar, segundo as nossas fontes, que colaborou na operação lançada pela PSP, está agora a investigar a suspeita de que grande parte do armamento chegava a Portugal a bordo de aviões da Força Aérea e de navios da Armada”
Correio da Manhã, 25.03.2006
Se vier a confirmar-se a suspeita da utilização de aviões da Força Aérea e de navios da Armada (sem que a hierarquia tenha conhecimento, claro), para o transporte da “mercadoria”, estaremos perante um degrau acima do habitual, nestas histórias de polícias e ladrões.
Com frequência, a nossa Polícia Judiciária orgulha-se de ter batido novo recorde na apreensão que mais toneladas de cocaína e outras drogas, mas nestas espectaculares operações apenas são apanhados “operacionais” e um ou outro quadro intermédio: nunca caem na rede os chefões e mandantes, que parecem ser fantasmas de outro mundo inacessível às polícias.
Envolto nas sombras e nuvens daquele mundo de fantasmas, ficaram os casos do acidente de Camarate, que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa de então, e provável alvo principal; da Universidade Moderna, que levou o então ministro Jorge Coelho a proferir declarações tipo bomba atómica (lavagens de dinheiro, tráfico de armas, de mulheres, etc., etc.); o caso do empresário João Zoio.
Em Portugal apenas se traficam armas ligeiras ou existem plataformas – temos uma costa marítima tão bonita, tão azul, com praias tão lindas e tão desguarnecida – do tráfico de armamento mais pesado?
De qualquer modo, estas operações policiais, ocupam os média e passam a mensagem, tranquilizadora, de que a justiça persegue e castiga os maus. Todavia, fica na boca um travo de “sabe-me a pouco”: será que nos maus, uns são mais maus do que outros e que existe também o deus desconhecido que protege os mais maus?
João Gomes Gonçalves






publicado por quadratura do círculo às 15:57
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