Sexta-feira, 17 de Março de 2006

Jaime Branco - “Cabala Económica”

Foi intencionalmente que titulei assim o artigo, mas julgo que se
torna inteligível, olhando para as aspas lá colocadas.
Vivemos numa globalização sempre mais acelerada, manter o ritmo e
acompanhar o que diariamente nos chega já é, por si só, difícil. Os
debates vão tendo menor audiência, a cultura idem, o desporto…também é fugaz,
vive de paixões fortes, mas que rapidamente se extinguem. Resta-nos
discutir o dia a dia do mundo, do país, da região, da cidade e /ou vila,
das colectividades e associações recreativas, criticar o trabalho do
governo , das autarquias (Câmaras e Juntas de Freguesia), a falta de
empenhamento dos professores ( eu sou professor!), enfim, estamos confinados
a meia dúzia de situações de pouca monta (em termos de substância) que,
no entanto, nos tiram horas e horas as quais, há alguns anos atrás,
eram totalmente diferentes. Diria que a última década foi definitivamente
marcante na viragem das nossas vidas. Pelo menos, para a maioria delas.
Os mais abastados fizeram uma ligeira adaptação e os mais pobres
(muitos, muitos) ficaram bem pior. Mas evoluir e crescer implica sofrer.
Custa, de facto, muito. A nós e ao país. Talvez um dia cheguemos um
pouco mais acima…
Mas pretendo falar dos versados em economia! Não considero que sejam
pessoas diferentes do português comum, provavelmente até mais limitados
em determinados aspectos, mas o certo é que não se dão conta que, se
calhar, oito milhões de portugueses não os entende, dado que utilizam uma
linguagem tão técnica que deixam a grande maioria a perceber metade ou
menos de metade da mensagem!! E, na realidade, nos dias que correm só
se fala em economia, não só em Portugal como igualmente em incontáveis
países do mundo! E também não estou, de forma alguma, a afirmar que
utilizam intencionalmente um código só “deles”, hermético, não é esse o
problema. Em meu entender, é forçoso que digam outsorcing, Task Force,
Holding, Dumping, Golden Share, sei lá, algumas palavras/expressões que
caracterizam a linguagem da economia, mas atrever-me-ia a sugerir que,
durante uns meses, de cada vez que dissessem uma palavra e/ou expressão a
“roçar” o ininteligível ao comum do cidadão, explicassem o que isso
significa! Passado algum tempo, já todos perceberíamos e estaríamos
por dentro desse Glossário, que não precisa de ser necessariamente muito
longo. Torna-se até urgente que interiorizemos alguns desses conceitos.
É que são termos que nos ultrapassam, não tem nada a ver com uma OPA,
uma Oferta Pública de Aquisição!!
Ainda pensei que o problema era meu, mas conversando com amigos e
colegas, coloquei a questão e… fiquei satisfeito!!! Todos ouvem mas
ninguém sabe o significado…
Se os economistas pensarem um pouco mais, se racionalizarem o
problema, então ponham-se na situação de um doente com doenças diversificadas
em que o médico não utiliza senão a linguagem própria da medicina… O
paciente sai de lá a saber o quê ? O mesmo ou menos de quando entrou no
consultório. Julgo que me fiz entender. Quando há troca de ideias entre
dois economistas, em debate televisivo, e se surgirem muitas expressões
deste género, corremos o risco de estar a olhar para dois
“estrangeiros” a conversar num canal português! Não se trata de criticar por criticar, mas sim de aproveitar um tema de economia e discuti-lo de uma forma tão pedagógica quanto possível.
Jaime Branco

publicado por quadratura do círculo às 19:01
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