Sexta-feira, 17 de Março de 2006

João António Gomes Gonçalves - Discurso de Cavaco

Não existem salvadores mas abundam profetas anunciando a salvação segun
do a visão que cada um têm da mesma.
Há consenso quanto à competência e integridade de Cavaco Silva, qualidades cada dia mais escassas, o que já não é pouco para as funções que vai desempenhar, mas daí a poder-nos salvar do pântano que assustou Guterres, vai uma distância de anos luz.
No seu discurso de tomada de posse, Cavado Silva enumerou objectivos que não consegui alcançar quando foi Primeiro-ministro, com duas diferenças de monta: o monstro continuou a engordar desde então (os vícios dos políticos e a corrupção também) e agora não possui poderes executivos.
Na sua tomada de posse, Cavaco Silva, desperdiçou duas oportunidades. Ao optar por uma cerimónia com muita pompa e circunstância, ao arrepio do seu perfil discreto, perdeu a oportunidade de transmitir um exemplo de simplicidade e discrição, que tanta falta faz, e perdeu a oportunidade de simplificar o majestático protocolo da cerimónia: não começou da melhor maneira.
Recentemente Cavaco Silva introduziu alguns conceitos novos no léxico político: definiu-se como “tecnopolítico”, para relembrar o seu perfil tecnocrati
co, que gosta de cultivar (sabe que os políticos estão desacreditados), mas trata-se de mais um equivoco.
As teorias tecnocráticas (governação exercida por tecnocratas enxertados no regime representativo, não se sabe como) estiveram em voga em alguns países (Estados Unidos, França e outros), nas primeiras décadas do século passado e, de vez em quando, regressam fugazmente, normalmente em épocas de crise.
A essência da governação não reside na tecnologia, embora a complexidade das sociedades modernas incorporem a sua utilização em múltiplas áreas. Se governar fosse apenas a aplicação de princípios técnicos, com a evolução acelerada que estas registam, viveríamos em sociedades de elevada eficácia, progresso, bem-estar, equilíbrio com a natureza, e por aí fora.
Cavaco Silva tem uma carreira política de qualidade que não envergonha qualquer político, pelo que o disfarce soa a falso.
Como refere Constança Cunha e Sã (Público de 10. Março.2006) não existem países modelo para copiar (todos imitariam o modelo e teriam o mesmo nível de desenvolvimento): cada pais possui condições socioeconómicas específicas e recursos naturais diferentes.
O desenvolvimento é criado por nós – ou não – e a margem de manobra de Cavaco Silva é muito reduzida por muito boa vontade que tenha.
João António Gomes Gonçalves

publicado por quadratura do círculo às 18:58
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