Sexta-feira, 17 de Março de 2006

Mário Martins Campos - Discurso de Cavaco

O Prof. Cavaco Silva, tomou posse como Presidente da Republica, e proferiu o seu primeiro discurso, como tal.
Este era um discurso esperado, pois ele servia de pedra de toque, para o seu mandato, deixando as linhas mestras, sobre as quais se vai cimentar a sua acção, enquanto P.R.
Foi um discurso sem surpresas, que no essencial, demonstrou uma importante vontade, de alinhamento entre Belém e São Bento.
Chamou a atenção, para o foco no essencial, para o não desperdício de energias, em guerras estéreis, que só trazem problemas, para cima dos já existentes, e que complicam a abordagem, séria e sistemática, que importa fazer sobre os principais temas de preocupação.
Também aqui, existe um alinhamento entre Belém e São Bento, com a identificação coincidente, dos principais desafios a que o País se coloca.
Relativamente ao primeiro desafio apresentado, parece clara a necessidade de criação, das condições de desenvolvimento económico, que de forma sustentável, sejam o motor para o combate ao desemprego, alavancando a recuperação, relativa ao nosso atraso estrutural, comparado com os nossos parceiros europeus.
A aposta no conhecimento, na inovacão, na criatividade, na investigação e desenvolvimento tecnológico, na excelência do ensino, onde as universidades interagem com as empresas, são as molas impulsionadoras, deste grande e crucial desafio.
A qualificação dos Portugueses apresenta-se como outro grande objectivo, pois só com base numa forte aposta na educação e na formação, é possível levar Portugal e os Portugueses, a enfrentarem os desafios que se lhes colocam.
O reforço da credibilidade e da eficiência do sistema judicial tem sido uma bandeira do Governo, que agora se apresenta brandida pelo Presidente da Republica, em mais um sinal de alinhamento institucional.
São vários os problemas associados a esta temática, que devem ser enfrentados com a seriedade, que esta matéria impõe.
Urge fazer face ao grave problema da morosidade da justiça, que retira uma das premissas basilares de um sistema de justiça eficaz e justo.
Acima deste problema de eficácia, surge o problema da degradação da credibilidade das instituições e do seu consequente desprestigio, que putrifica na base, todo o edifício judicial.
Fazer face a estes problemas, é certamente uma prioridade, que importa implementar. Sem isto não é possível, inspirar a necessária confiança, nos cidadãos e nas empresas, por forma a potenciar o empreendorismo e o investimento, que tanta falta fazem ao País, e que só se frutifica, num contexto de estabilidade, seriedade e justiça.
A sustentabilidade do sistema de segurança social é outro aspecto, onde as políticas já em curso por parte do Governo, afinam com o objectivo definido pelo Prof. Cavaco Silva. Isso é bom! E sublinha a importância das medidas já tomadas.
É importante esvaziar o estado de ansiedade, relacionado com a possibilidade do Estado não cumprir com as suas obrigações e expectativas geradas, no futuro, com uma abordagem séria do problema, sem escamotear as dificuldades, nem adiar as soluções, na perspectiva de adiar os sacrifícios, que parecem inevitáveis.
O Governo tem sido, ao longo do passado ano, o porta estandarte, da credibilização do sistema político, trazendo a ética de serviço publico, para o centro da agenda política. Em mais um sinal de sintonia, o Presidente da Republica vem agora sublinhar essa necessidade, como um imperativo, capaz de credibilizar as decisões políticas, tantas vezes difíceis e ao invés das expectativas de alguns sectores da sociedade.
Como primeiro discurso, pareceu-me um discurso positivo, alinhado com o essencial, prometedor de um entendimento institucional essencial e capaz de levar “a tal nesga de terra debruada a mar”, no caminho do sucesso.
O discurso não teve surpresas, e foi bem notória a linha de pensamento de Cavaco Silva, com a sua personalidade pouco versátil e mono-dimensional, com uma preocupação extrema para os temas de caracter económico, dispensando pouca atenção, à dimensão externa de Portugal no Mundo, bem como à sua vocação Histórica.
No entanto, Cavaco Silva sublinhou que a nossa capacidade de dar novos Mundos ao Mundo, contra ventos e marés, para lá de todos os Adamastores, provam uma capacidade de resposta nos momentos difíceis, que importa repescar no melhor de Nós!
Basta que todos rememos num mesmo sentido, levando todos nesta nau, porque todos não serão demais, para a levar a bom porto.
Mário Martins Campos

publicado por quadratura do círculo às 18:49
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