Segunda-feira, 13 de Março de 2006

Fernanda Valente - Mandatos de Sampaio

O primeiro mandato presidencial do Dr. Jorge Sampaio que agora cessou funções, foi pacífico, foi de encontro às expectativas do eleitorado que o elegeu, num País de brandos costumes, habituado a olhar unicamente para o seu umbigo, conciliador e omisso em relação às grandes questões da nossa contemporaneidade, que fazem mover o mundo lá fora, longe da nossa esfera de influência. No segundo mandato, em que metade da população não votou (abstenção de 49,1%) o resultado do escrutínio contemplou a sua vitória. A maioria do eleitorado votou a eleição à indiferença, quer por ter deixado de acreditar na relevância da função presidencial quer por falta de opção de escolha objectiva.
No entanto, o seu segundo mandato teve dois momentos altos que nos revelaram um presidente mais interventivo, capaz de tomar decisões difíceis para além do costumeiro apelo à serenidade na presença de conflitos políticos. O primeiro circunscreveu-se ao seu desempenho na luta pela independência de Timor Leste, pelos esforços que desenvolveu junto da comunidade internacional, nomeadamente a pressão que exerceu sobre a administração Clinton até aí desligada desta realidade, ao assumir pessoalmente o “mea culpa” nacional pelos erros cometidos no processo de descolonização, e que culminou com a consignação do direito à autodeterminação do povo timorense. O segundo momento alto abriu um precedente político que ousou pôr em evidência um dos princípios mais nobres da democracia representativa e que é o da vontade do eleitorado em dissolver um parlamento que elegeu e demitir um Governo mesmo que constituído com maioria, através da prerrogativa constitucional que confere esse direito ao Presidente da República, se denunciados os pressupostos que estiveram na base dessa eleição, como se veio a verificar. Foi, assumidamente, um acto de coragem que mostrou a integridade do seu carácter e que abriu caminho a um novo Governo e a uma nova Presidência que, em simultaneidade, irão de novo colorir esta democracia debutante de princípio de século. Por último, é de salientar que a missão do Dr. Jorge Sampaio não foi de todo espinhosa. Espinhosa irá ser a do Prof. Cavaco Silva que terá a árdua tarefa de colocar Portugal no mapa da Europa e de preparar a transformação do espírito do “orgulhosamente sós” que existe em cada um de nós, caso pretendamos beneficiar do estatuto de cidadão europeu em toda a plenitude da acepção da palavra.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 18:54
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