Segunda-feira, 13 de Março de 2006

Jorge Costa - A Grande Devassa

Há dois meses, o diário “24 Horas” publicava a notícia que no processo Casa Pia havia um envelope que continha um suporte informático com um ficheiro em que estavam listagens de chamadas telefónicas efectuadas por uma imensidade de gente. Quase todos os altos dignatários se encontravam lá, no famoso envelope 9, nem as chamadas particulares e oficiais do Presidente da República escapavam.
Uma análise aprofundada dos arquivos até revelava, o que sem sombra de dúvida é um facto de particular importância para o processo da Casa Pia ou qualquer outro, que a esposa do Procurador-Geral da República teria pedido uma pizza para comer em casa.
No caso vertente, de relevante ficou a saber-se que na casa do Procurador há adeptos da comida de plástico e assim serão potenciais vítima do colesterol elevado. Mais uma preocupação para o povo português: o estado de saúde do dito.
Confrontado com a existência de tão conspícuo envelope e seu conteúdo, a primeira resposta do Procurador-Geral foi o desmentido veemente da sua existência, no que passado algumas horas horas foi contrariado por um comunicado da Portugal Telecom que dizia ter enviado tal informação em suporte informático a pedido de um douto magistrado.
Por seu lado, os responsáveis editoriais do jornal reafirmavam a veracidade da notícia e, no dia seguinte, eram mais precisos na informação e publicavam os nomes dos titulares dos telefones das listagens.
A classe política devassada, ficou consternada e deu mostras disso!
No mesmo dia da notícia, o Presidente da República chama o Procurador a Belém, logo de madrugada, pelas nove horas e exige-lhe explicações rápidas e, ao jantar, entra-nos em casa numa alocução ao país em que destacou a gravidade da situação no que tinha sido anteriormente corroborado pelo primeiro-ministro.
Os mais atentos consideraram que a República e a Democracia estavam em perigo levadas na voragem de um inusitado voyeurismo investigativo. O desvario é tal que o investigador se investiga a si próprio, num verdadeiro processo autofágico.
A quente, face aos puxões de orelhas o Procurador desvalorizou a questão mas compremeteu-se com um inquérito rápido que respondesse às questões: quem pediu aquela informação e como se explicava que ela integrasse o Processo Casa Pia?
O português é mesmo uma língua traiçoeira. As palavras não têm o mesmo significado para todos, principalmente quando alguns são titulares da administração da justiça.
A justiça portuguesa não só é cega como é paralítica, dando razão a que a perda de um sentido leva à hipertrofia de outro como compensação, daí o gostar tanto de escutas telefónicas.
Aos costumes dizendo nada, da urgência das respostas, passados dois meses, nada se sabe. A haver algum resultado já será o novo Presidente (...) a recebê-los o que não deixa de ser surpreendente.
Desde a Antiguidade que vem sendo mais fácil matar o mensageiro que alterar a realidade das notícias que ele transporta. Assim, a Procuradoria, numa manobra dilatória altamente perigosa, invade a redacção do jornal, apreende os computadores dos jornalistas que tinham dado a notícia, cuja veracidade ninguém questiona e processa-os por divulgação de dados pessoais.
Será Portugal mesmo um país, ou mais, como dizia Eça de Queirós, um lugar mesmo muito mal frequentado?
Jorge Costa
publicado por quadratura do círculo às 18:50
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