Segunda-feira, 13 de Março de 2006

João Gomes Gonçalves - Julgamento de Deus

Quando cristãos e muçulmanos combatiam na Península Ibérica, há cerca de mil e trezentos anos, cada uma das hostes invocava Deus (suponho que seriam deuses diferentes) e colocava-o no seu lado da barricada. Nas cruzadas, os cristãos também combatiam com a bênção papal e a amparo de Deus e, na sequencia do protestantismo e da contra reforma, tivemos metade da Europa dilacerada pelas guerras de religião, em que cada parte em conflito estava seguro de que Deus estava do seu lado e os apostatas do outro lado.
De igual modo, no Velho Testamento, uma das suas principais mensagens, é que Deus combate e apoia Israel contra os inimigos desta: são inúmeras as passagens em que Deus apoia Israel e até fornece instruções precisas sobre tácticas militares para derrotar os inimigos.
É, portanto, muito velho o hábito que os homens têm de ir para a guerra na companhia de Deus, e de coloca-lo do seu lado, ou seja do lado justo, porque o inimigo é forçosamente mau e vive mergulhado no erro e no pecado.
Os historiadores consideram que a guerra dos Trinta Anos (1618-1648) foi a última guerra religiosa, ou seja praticada em nome da religião.
Nas sociedades laicas do Ocidente e no século XXI, esta mistura do sagrado e do profano, da guerra em nome da fé, é dada como ultrapassada. Todavia, onde menos se espera surgem resquícios daquela velha convicção e dois destacados políticos da cena internacional – Tony Blair e George Bush – invocam a mão de Deus nos seus negócios bélicos.
Cito: “O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, crê que Deus será o juiz último da sua decisão de apoiar a guerra no Iraque, muito contestada na Grã-Bretanha, como confiou numa entrevista à televisão britânica ITV que será emitida sábado”. ... “Interrogado sobre a sua decisão de enviar cerca de 40.000 soldados britânicos para o Iraque, Blair declarou: «É preciso tomar uma decisão e viver com ela. No final, há um julgamento e, se temos fé, damo-nos conta de que outros nos julgarão». ... “Se acreditamos em Deus, (o julgamento) é feito por Deus também» .
Contínuo a citar: “No Outono passado, o então primeiro-ministro palestiniano Mahmud Abbas contou à rádio televisão britânica BBC que o presidente norte-americano, George W. Bush, lhe explicara em Junho de 2003 que tinha obedecido a uma ordem divina ao invadir o Afeganistão e depois o Iraque”.
(In Diário Digital de 3.Março. 2006)
Quem sou eu para por em dúvida, quer o julgamento, quer as ordens que o Altíssimo transmite ao presidente Bush e ao Pentágono. Quanto ao julgamen-
to, os muçulmanos também não têm qualquer dúvida: será realizado e Deus castigará os dois infiéis.
Quanto às ordens do Altíssimo, apesar de não ter uma bola de cristal, não ficaria admirado se ordenasse uma guerra contra o Irão: afinal cada um acredita naquilo que lhe convém.
João Gomes Gonçalves

publicado por quadratura do círculo às 18:29
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