Quarta-feira, 1 de Março de 2006

Amora da Silva - Sindicato dos Professores

O Sindicato dos Professores do Norte (Área sindical do Porto) fez circular pelas escolas um texto com o título: «Apelo aos professores e educadores, contra a degradação das condições de trabalho e o abastardamento da profissão docente, é preciso continuar a resistir».
Penso que a maior parte dos destinatários não o chegam a ser. Aliás, não consegui observar qualquer professor a lê-lo. Não é novidade para ninguém o divórcio (que não é litigioso nem por mútuo acordo, mas simplesmente por
indiferença) entre a classe dirigente dos sindicatos e os professores. Quem ler este comunicado compreende porquê. Qualquer actividade para merecer consideração tem de ter mérito. E o mérito conquista-se com trabalho, com competência e com responsabilidade. Ora, o presente comunicado é o espelho do oposto. Em primeiro lugar, a credibilidade ganha-se no respeito pela verdade dos factos e não com nuvens de poeira e de fumo. Façamos algumas
perguntas:
1. O desrespeito pelo Estatuto da Carreira Docente existe agora ou existia
nos governos que antecederam este?
2. Há «muitos professores com 7, 8, 9, 10, 11 turmas, e turmas com mais de
25 alunos»?
3. A componente não lectiva é demasiado diminuta? Lembramos que o horário do
professor é de 35 horas, sendo que a componente lectiva varia de 12 a 22horas (2º, 3º e secundário) e é de 25 horas no 1º ciclo.
4. Se as medidas que o governo está a tomar «vão ter consequências muito
negativas na qualidade do ensino», porque é que a qualidade já era tão baixa antes delas? Que medidas é que o sindicato propôs ou propõe para a elevar?
5. Pensa o sindicato que é através da greve, desta greve, que vai «dar aos
nossos alunos e a todos os portugueses o exemplo do cumprimento do dever de intervenção cívica, pela afirmação da nossa dignidade e orgulho profissional»?
E tudo isto há-de provar que a classe docente não merece o sindicato que tem porque muitos não são sindicalizados no sindicato em questão e dos sindicalizados uma grande parte não se envolveu neste processo de greve. A esses o sindicato chama, em termos claros, de párias, bastardos e indignos do nome de professor.
E a ameaça segue assim: «Agarremos com as mãos as rédeas do nosso destino.
Não nos queixemos, mais tarde, quando formos meros capachos dos burocratas, dos encarregados de educação e dos alunos, pelos nossos pecados de omissão, demissão ou cumplicidade» Sintomaticamente, ou não, termina com a frase tornada conhecida por dois recentes derrotados em eleições, um deles candidato a presidente de uma Câmara, outro a Presidente da República: «Só é derrotado quem desiste de lutar».
Em conclusão, o sindicato está contra o Governo, contra os encarregados de educação, contra os alunos e, como se viu, contra os professores. Resta-lhes defenderem-se a si.
Amora da Silva

publicado por quadratura do círculo às 19:28
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