Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

Bernardino Alves - Sobre cidadania

Quando o comum cidadão se sente lesado em termos civis ou sociais, tem a possibilidade de recorrer às instâncias judiciais que podem ou não corrigir eventuais erros. Tal realidade, não acontece relativamente aos direitos políticos, apesar da Constituição da nossa República salvaguardar tais direitos na sua plenitude.
Na verdade, existe um divórcio entre eleitores e eleitos, não é novidade. Do lado dos cidadãos verifica-se um descontentamento relativamente à oferta partidária, a procura de bens políticos é desmotivante, o descrédito no funcionamento das instituições democráticas é uma realidade.
Perante tudo isto temos um enorme paradoxo. Temos cidadãos que pretendem um estado provedor da justiça social mas não cumprem os seus deveres fiscais. O “xico espertismo saloio” ainda colhe muitos apoiantes exuberantes. Temos escolas que funcionam mal, no entanto, atiram-se responsabilidades para os outros, aos outros e aos outros. Queremos bons cuidados na saúde mas não estamos dispostos a contribuir para tal. Temos os mais elevados índices de sinistralidade da Europa, porém, poucos são os que admitem ser maus condutores. Quando se tentou referendar problemas importantes da nossa sociedade, os índices de participação foram baixos. Infelizmente, são só alguns exemplos.
Enfim, somos muito “refilões” nas questões de menor importância, muitas vezes histéricos, todavia, silenciámo-nos nas questões de fundo da nossa sociedade.
Explicações não hão-de faltar. De vários tipos, de várias ideologias como por exemplo o nível de instrução em correlação com participação politica, ou o atraso do processo de escolarização, que afectou as gerações nascidas antes do 25 de Abril, etc., etc.
Perante tudo isto, o que é que fez Manuel Alegra com o argumento do “Poder dos Cidadãos”?
Manuel Alegre foi conivente e compactou com as boas ou más medidas do seu partido e foi opositor das boas ou más medidas de outros partidos, que exerceram o poder politico durante três dezenas de anos.
Por ter sido rejeitado pelo seu partido para ser candidato a Belém, alegre não pode mudar de discurso tão abruptamente, nem pode alinhar no discurso anti partidos, mesmo que fosse para captar votos ao Bloco de Esquerda.
Fica-lhe mal.
Se queremos combater o divórcio referido anteriormente, aperfeiçoar a democracia, torna-la mais directa e pragmática, melhorar a confiança nas instituições políticas em termos da sua eficácia e transparência de funcionamento, não podemos encher a boca com democracia e liberdade, olhando em demasia para o nosso próprio umbigo.
Bernardino Alves
publicado por quadratura do círculo às 19:09
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