Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

Pedro Betâmio de Almeida - Ética Republicana

Ao que parece no PS, partido estruturante da vida politica Portuguesa e como tal com responsabilidades acrescidas no que toca às posições púbicas assumidas perante as diversas questões da vida pública nacional, há um deputado que diz apenas reconhecer uma ética: a ética republicana! Significando isto que a ética republicana é a Lei e portanto não reconhece outro ditame que não seja o oriundo da Lei.
O referido deputado, actual presidente da Iberdrola em Portugal, empresa que entrou na estrutura accionista da EDP com o seu aval e patrocínio enquanto ministro das finanças e como tal gozando da confiança nele depositada por todos os Portugueses votantes, afirmou laconicamente ser unicamente fiel à Lei e disse ser essa a ética Republicana.
Agora não restam dúvidas, agora é legitimo subentender as razões porque o Eng.º Guterres bateu com a porta e falou em pântano político. É que, na verdade, se a única ética republicana é a “exclusiva fidelidade à Lei”, então este ex-ministro, deputado, presidente da sucursal da eléctrica espanhola em Portugal, não deve fidelidade nem a família nem a amigos nem ao país nem ao cão nem ao gato. Então este sujeito é desprovido de qualquer sentimento de pertença, qualquer noção de outros valores que não se enquadrem dentro do anátema legal.
Na verdade o cavalheiro em apreço será o símbolo moderno daquilo que os Portugueses de 1383 terão sentido para num acto de claro excesso revolucionário optarem por enviar o Conde João Fernandes Andeiro, após apunhalado pelo Mestre de Avis, pelo precipício de uma janela de um segundo andar. É que também o Conde não devia outra fidelidade que não à ética do Rei de Espanha (uma variante da ética Republicana invocada pelo nosso cavalheiro deputado). E são bastantes as semelhanças com triste história do Conde que numa manhã soalheira de 1383 se despenhou de uma janela de um 2º andar em Lisboa, é que nessa altura, tal como hoje, também os nossos irmãos Espanhóis pretendiam exercer um magistério de supremacia sobre este nosso Portugal e nessa altura, tal como agora, havia cada vez menos privilégios e honrarias para distribuir pelos distintíssimos dignitários Lusos.
Em suma, preciso ter muito cuidado com as fidelidades que se gritam em alto e bom som, principalmente quando os tempos não correm de feição e as pessoas andam descontentes. Com certeza que hoje em dia as janelas dos 2ºs andares já não se abrem por causa dos ares condicionados, mas lá que a historia tem uma estranha tendência para se repetir, isso tem…
Pedro Betâmio de Almeida


publicado por quadratura do círculo às 20:27
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