Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

Pedro Betâmio de Almeida - Ética governativa

É evidente e obvio que o sector da energia é um sector estratégico para o país. É também óbvio que a economia mais pujante da península Ibérica, através da Iberdrola, teve, tem e terá interesse em adquirir participações e até controlar a energética portuguesa, isso é uma decorrência das leis do mercado e da forma e organização empresarial com cotação em bolsa que a EDP actualmente assume.
A Iberdrola não é uma empresa fachada de capitais obscuros e com actividades secundárias duvidosas, na senda de outras que por ai aparecem comprando sedes sumptuosas, com investidores de nomeada, para logo depois desaparecerem ou acabarem na barra dos tribunais, arrastando no processo personalidades conhecidas na sua queda. A empresa Espanhola de Bilbao (Vizcaya) é uma gigante do sector que tem com objecto social, entre outras, a realização de toda a classe de actividades, obras e serviços próprios relacionados com negócios da produção, transporte, transformação e distribuição ou comercialização de energia eléctrica ou seus derivados. Por outro lado, tem ainda experiência na investigação, estudo, planeamento, conversão e desenvolvimento de empresas industriais e prestação de serviços de apoio a sociedades de empresas participadas.
Dito isto e assumindo que a nacionalidade desta grande empresa chamada Iberdrola não era de todo desconhecida pelos responsáveis nacionais, agora que o Sr. Presidente da Republica parece estar preocupado com a presença da empresa espanhola na estrutura accionista da EDP, importa recordar que a sua entrada no capital da energética nacional se dá pela mão de um ex-ministro que no governo do Eng.º Guterres, teve a seu cargo precisamente a pasta da economia. Ministro esse, inclusive, que hoje é presidente da Iberdrola em Portugal.
Enfim, como compreender então este súbito assalto de nacionalismo aflito do Sr. Presidente da Republica, mascarado de acto público, com a chamada do actual ministro da economia a Belém? Só pode ser mais um gesto decorativo e com pouco significado prático destinado a ser apenas notícia para o telejornal do dia. Na verdade, à mulher de César não basta ser séria é preciso parece-lo. Nunca em caso algum, num país civilizado, se pode ser titular de um cargo público, aceitando patrocinar uma causa de uma empresa particular, para depois “saltar” para a cadeira de presidente da representação no país dessa mesma empresa particular. Quem trata a coisa pública como sua, quem usa a pasta governativa para garantir o seu futuro pessoal, hipotecando e sacrificando o interesse nacional, não tem idoneidade para exercer a plena cidadania em liberdade e em condições de igualdade com os restantes cidadãos trabalhadores e contribuintes. É que mais do que qualquer indemonstrada falta de produtividade dos trabalhadores portugueses, é esta falta de ética politica e desrespeito pela coisa pública demonstrada por alguns governantes que arrasta o país para a situação em que está.
Pedro Betâmio de Almeida



publicado por quadratura do círculo às 20:11
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