Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2005

J. Gomes Gonçalves - Educar na Bélgica

Provavelmente terá passado despercebido ao Ministério da Educação um artigo de Graça Franco sobre problemas de ensino (Público de 12.12.2005), onde a autora relata a sua experiência pessoal com o educação dos filhos em Bruxelas.
Relata a entrevista com Monsieur le Directeur de uma escola comunal pública. Imagine-se que naquela entrevista necessária para o ingresso dos alunos, le Directeur explicou as regras da casa, que transcrevo resumidas (os sublinhados são meus): as crianças são educadas no respeito pela disciplina; no reconhecimento da autoridade; impomos desde cedo hábitos de trabalho; respeito pelos direitos próprios e dos outros; respeito pelo espaço escolar (instalações); grande cuidado com os materiais escolares, pela ordem, pelas salas e o recreio.
Também existem regras para o vestuário, apesar de não terem de usar farda; as crianças devem vestir-se de acordo com os seus gostos, com bom senso e sem atitudes provocatórias; o seu porte deve ser sempre limpo e impecável; fatos de treino e ténis só são permitidos para as actividades desportivas. Apesar disto acontecer em Bruxelas, sede de vários órgãos da EU, é um autentico horror!
Pois imagine-se que aquela mãe desnaturada entregou a educação dos seus filhos a uma escola que, segundo o nosso paradigma de ensino, é um autêntico quartel de tropa de choque.
Naquela sala de horrores, as crianças não vão revelar as suas capacidades e saberes; a escola não é um espaço lúdico; o professor não é um amigo, um igual entre pares; as faltas têm consequências, e não passam de ano por antiguidade, para embelezar as estatísticas do Ministério.
Imagine-se o que não aconteceria se duas alunas trocassem beijoquices e carícias no recreio!
Também Filomena Mónica, entre outros, tem perdido tempo ( até escreveu um livro, “Os Filhos de Rousseou”) a denunciar a falência do nosso Sistema de Ensino que, de reforma em reforma, continua a fomentar a iliteracia e a lançar para a vida sucessivas gerações de jovens indiferenciados. Além de não saberem português, matemática e outras extravagâncias, também não sabem escrever e decifram com muita dificuldade um pequeno artigo de jornal; quanto a hábitos de leitura estamos conversados.
A cereja no bolo deste sistema é a admissão à Universidade com notas negativas e as centenas de cursos universitários que cada Universidade inventa a seu bel-prazer.
Se a memória não me falha, é com esta matéria-prima, gerada pela paixão de António Guterres, que José Sócrates quer fazer o choque tecnológico.
Na Grécia clássica, cada cidade Estado encarregava-se da educação dos jovens e essa educação incluía também a preparação física mas infelizmente a História tem lapsos de memória e não nos transmite tudo o que os homens aprendem.
J. Gomes Gonçalves


publicado por quadratura do círculo às 19:37
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