Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2005

Rui Fonseca - Dois galos

“Dois galos na capoeira é asneira, a menos que um deles seja capado”

do Tratado Popular de Ciência Política

A eleição do Presidente da República em Portugal por sufrágio directo e universal confere a este Órgão de Soberania uma intensidade de representação da vontade popular, democraticamente expressa, bem acima daquela que sustenta os outros.
E, no entanto, dizem-nos e repetem-nos que, em Portugal, o Presidente da República tem poderes de intervenção muito limitados aparte o poder, eventualmente desproporcionado, de dissolver a Assembleia da República.
Todos os candidatos às próximas eleições concordam num ponto: O País está em crise. Todos se propõem tirar ou ajudar a tirar o País da crise, acrescentando a maior parte ser essa a razão fundamental da sua candidatura. Não houvesse crise e não teríamos candidatos...
A enigmática questão por onde se têm de desenvencilhar os candidatos durante a campanha eleitoral é, então esta: Com poderes tão limitados como podem os candidatos prometer o que não podem realizar ou como podem os candidatos candidatarem-se sem prometer já que não há candidatura sem promessa?
É a quadratura do círculo em todo o seu esplendor: Se promete, aqui d´el-rei, o Candidato vai subverter o sistema e não respeitar a Constituição! Se não promete, está visto, o Candidato não tem ideias para o País ou se tem não lhes pode dar corda!
Mas preso por prometer, preso por não prometer, um dos Candidatos um dia destes é Presidente e o mais certo é ter hipotecado a sua palavra a algumas promessas, explícitas ou implícitas, que fez aos eleitores. Se for homem de palavra o que é que ele pode fazer?
A democracia é para os guardiões do Templo um sistema político que se alimenta dos conflitos entre os desígnios contrários, ainda que para manter a conflituosidade se tenham de trocar os desígnios, e qualquer sugestão de consenso tresanda-lhes a pensamento único.
Desconhecem que para lá da sabedoria popular a respeito da relapsa falta de convivência dos galos se desenvolveram sofisticadas teorias dos jogos.
Por estas e por outras razões, os guardiões do Templo não toleram que seja democraticamente desejável a cooperação entre as diferentes forças políticas e os órgãos de soberania para a realização de estratégias consensuais e a remoção de bloqueios.
Porque os bloqueios são como as bruxas, podemos não acreditar que existam mas que os há, há.
E até sabemos onde moram.
Rui Fonseca

publicado por quadratura do círculo às 18:48
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