Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2005

Mário Martins Campos - Balanço dos debates presidenciais

Terminada a primeira, e muito provavelmente a única, roda de debates, importa reflectir, sobre o comportamento dos candidatos e sobre as ilações que podemos tirar.
1. Jerónimo Sousa foi igual a ele próprio, capaz de potenciar o seu capital de simpatia, sem fugir da sua linha de pensamento ideológico, que todos já conhecemos e que o mundo já rejeitou, de forma clara e inequívoca.
Fica no entanto a referencia simpática a um homem do Povo, que fala para o Povo e como o Povo. Genuíno, como só ele, capaz de suscitar apreço, mesmo a quem se coloca no outro lado do espectro político.
2. Francisco Louçã, inteligente, prolixo e com um pensamento rápido e articulado, foi sagaz em todos os debates, e penso que atingiu os seus objectivos, que passam claramente por afirmar o movimento do Bloco de Esquerda como um verdadeiro partido político, incapaz de se alhear de qualquer combate político.
3. Manuel Alegre, é um candidato com força própria, não depende de nenhum partido, e com a convicção dos seus valores, como propulsor de um movimento que se mostra capaz de marcar a diferença e fazer história na democracia Portuguesa.
4. Cavaco e Soares, são no entanto os candidatos mais fortes, no meu entendimento, mesmo que as sondagens não o indiquem.
Cavaco, durante os debates, esteve sempre num estilo hirto e incomodo, de quem não se sente confortável naqueles palcos.
Foge do debate, porque percebe claramente, que a sua actual vantagem, só pode ser desgastada, com o escalpelizar das suas ideias e com a desnudez da sua falta de consistência de pensamento, em temas que saiam da sua área técnica.
A sua candidatura á uma mistificação política, que importa no entanto clarificar, uma vez que a sua fuga ao debate, pode escamotear o despropósito das suas propostas, uma vez que estas assentam num principio estratégico de prometer orientações e objectivos económicos, que sabe não serem do foro das competências presidenciais.
Soares é um verdadeiro animal político, que se sente bem no debate, na dialéctica democrática, na esgrima de argumentos, que “cresceu” neste campo e é aqui que se sente “em casa”.
Tem um pensamento estruturado ao longo dos anos sobre o papel de Portugal no mundo e sobre o modelo de sociedade que defende para Portugal e para o mundo. Soares é uma personalidade multi-facetada, com “muito mundo” na bagagem e com um curriculum que é por si só garantia, de um presidente capaz de colaborar com o governo, no estreito cumprimento da constituição, na implementação de políticas capazes de colocar Portugal no caminho do sucesso.
Soares, apesar da sua vasta experiência, cometeu no entanto um erro no debate. O de trazer à liça afirmações que não podia substanciar, relacionadas com o estilo de participação de Cavaco nos conselhos europeus. Foi um erro, dar ao seu adversário motivos de agastamento.
Um aspecto relevante e da máxima importância, ressalta à vista dos debates, em relação à forma como Cavaco olha o exercício do cargo de Presidente da Republica. Salta à vista que, em vez de se ver como regulador, árbitro e moderador do sistema político, se vê como protagonista e condutor da política nacional, o que gerará conflito político e institucional com a maioria parlamentar e o Governo.
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 18:45
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