Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

Fernanda Valente - Duas atitudes

Não me passou despercebido o comentário "político" elogioso de António Borges, num jornal diário de referência, versando sobre a política implementada pela Sra. Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que subscreveu, não na qualidade de militante do PSD, mas, enquanto responsável e membro dos conselhos de administração dos diferentes estabelecimentos de ensino à escala europeia por onde passou. Limitou-se a fazer uma descrição do que ele, e nós que não somos professores, entende que deverá ser o ensino administrado aos nossos jovens nas escolas e universidades, e também sobre o critério de avaliação dos professores, em que actualmente são os anos de docência que determinam a progressão automática na carreira, sabendo nós à partida que não é o tempo que nos dá a sabedoria ou o conhecimento, mas sim a forma como dispomos desse tempo.
De igual modo, não me passou despercebido, o chamamento cálido de Fernando Ruas na qualidade de autarca social-democrata da comarca de Viseu, a incitar as populações locais à prática do motim, motivando-os ao apedrejamento de funcionários do Ministério do Ambiente, encarregados de fiscalizar as obras no sentido do cumprimento das normas que regem a política ambiental. Não é para admirar esta atitude fundamentalista que tão bem combina com o exercício discricionário do poder local por parte da grande maioria dos autarcas portugueses. Este é o tecido político que temos no nosso interior, autênticas traças que corroem a bandeira do desenvolvimento do nosso povo, contribuindo para a estagnação das populações ignaras e consequente desertificação de zonas de território produtivo, que ainda possuem condições ideais de sobrevivência.
São estas, duas atitudes diferentes de estar na política, de encarar a política e de viver a política. Resta saber com qual destas duas atitudes pretende o PSD apresentar-se nas próximas eleições legislativas, enquanto força política de alternância como compete a um regime democrático. Portugal precisa de uma força política liberal de direita que sustente o equilíbrio com uma outra forma de poder mais sociabilizante, mais estadista, de inspiração europeísta e que nos tem servido de modelo de há uns tempos para cá. Se o PSD pretender assumir esse espaço ideológico inexistente no actual quadro político-partidário, não será, com certeza, recorrendo à prata da casa já velha e desgastada pelo uso do polimento, que poderá apresentar-se como força alternativa ao poder político reformista do actual governo. O cidadão-eleitor, tem vindo a ser confrontado com um desempenho de excepção das funções governativas, ao qual não estava habituado. Propor-se-à, quando for chegada a altura, exigir à oposição maior competência, capacidade de gestão, sentido de Estado e visão estratégica. Irá ser aumentada a fasquia do político que vier a ser considerado elegível enquanto força alternativa e, por conseguinte, apto a segurar de novo as rédeas do poder.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 18:29
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