Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2005

Fernanda Andresen van Zeller de Azeredo - Fundamentalismos

Quando os taliban destruíram os Budas, senti-me apavorada. Mas em que mundo estou eu, capaz de, nesta nossa era, destruir uma obra tão maravilhosa, pelo testemunho histórico, cultural, religioso e artístico que durante milhares de anos transmitiu?
Admirei-me, na altura, da falta de protestos, a não ser nos artigos de jornais especializados, de carácter intelectual, e que não chegaram ao público em geral.
Pouco tempo depois, assistimos à destruição das Twin Towers, pelos terroristas fundamentalistas da Al Quaeda.
Também não vi nessa altura ninguém se interrogar se na sua cultura haveria fundamentalismos.
No ano passado assisti, espantada, à questão do lenço na cabeça, que agitou a França.
Para mim, não tinha discussão. As meninas que andassem à vontade com o lenço, que mal fazia? Só não conviria que tapassem a cara, para que os professores pudessem ter o sentir da comunicação.
Ouvi falar em questões à volta dos símbolos religiosos. Pensei: em Portugal isso nunca vai acontecer. Nós aceitamos bem as diferenças. Até porque a inquisição, em Portugal, só se desenvolveu por imposição da Espanha.
E agora vejo que afinal o fundamentalismo está a ganhar força em Portugal!!! Porque os laicistas não admitem outras expressões que não sejam as suas.
Vejo que seria natural e bom, nos tempos que correm, ter numa sala de aula, ao lado da cruz, um simbolo muçulmano, outro judeu, outro budista, e também o busto da República Portuguesa. De acordo com a vontade e a cultura dos meninos presentes na sala.
Sei que isso é que encantaria as crianças. Olhariam umas para as outras a sorrir, e cada um ficaria cheio de curiosidade de conhecer a cultura do outro.
E qual desses símbolos ficaria a perder? Não apontam todos para um caminho de perfeição? Não pertencem todos eles a pessoas que são profundamente honestas nas suas convicções, nos caminhos que percorrem e naquilo que procuram de mais belo, na vida?
Será que estamos agora num estado fundamentalista, que
diz: o laicismo é que é. E então, os laicistas, cheios de medo, proibem sinais de outras convicções ou filosofias.
Deus, Alá, Iavé, Buda, acudi-nos!
Abraão, Cristo, Maomé, Confúcio, rogai por nós!!!
Fernanda Andresen van Zeller de Azeredo
publicado por quadratura do círculo às 18:09
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