Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2005

J. Gomes Gonçalves - Sexo dos Anjos

Determinar o sexo dos anjos é uma discussão teológica que começou nos primórdios da Igreja Católica: tem barbas compridas e encanecidas. As dificuldades encontradas com o tema ilustram a dificuldade que a Igreja, ao longo dos séculos, tem revelado em matéria de práticas sexuais.
Não fora uma artimanha da mãe Eva (a história da maçã do pecado original) e a reprodução dos avós dos nossos avós, dos nossos avós, etc., etc., ainda hoje estaria a cargo do Espírito Santo, com grande prejuízo para as indústrias dos preservativos, dos contraceptivos, dos abortos clandestinos e afins.
Também não sabemos como seria uma humanidade sem pecado original, talvez fôssemos todos santos sem disso termos consciência.
Os mistérios da fé são insondáveis e apenas sabemos que aquele pecado original custou às filhas de Eva séculos de maldição, de proscrição e de todos os defeitos: fonte de pecados, da luxúria, bruxas, seres inferiores e desprezíveis que arrastaram para o mal gerações de filhos de Adão.
Às mulheres também era vedado serem artistas de teatro e outros espectácu
los, (a máxima de S. Paulo “Que as vossas mulheres guardem silêncio nas igrejas” era rigorosamente cumprida), o que deu origem a um problema complicado na ópera: onde arranjar vozes aveludadas de soprano?
Castrando os rapazinhos com boa voz – os castrati - resolveu-se o problema e, assim com a bênção papal, podiam exibir-se na Capela Sistina a partir da segunda metade do século XVI. Esta peculiar inovação, e próspero negócio, só passou de moda nos primeiros anos do século XIX e depois de serem massacrados uns milhares de jovens.
Esta crueldade choca a nossa mentalidade de hoje mas, em resumo, foi assim que as coisas se passaram.
Contrariando todas as análises que consideram o actual Papa um eclesiástico de formação conservadora, Bento XVI resolveu quebrar a tradição e inovar em matéria de sexo. Sinal dos tempos?
Ficámos a saber que os homossexuais não podem ser ordenados padres, o que constitui uma autêntica revolução teológica. (...)
Esta nova orientação irá ser aplicada com o mesmo rigor que tem sido usado com os padres pedófilos?
Ficou também por esclarecer se as lésbicas podem, ou não ser, ordenadas freiras? Afinal, as mulheres não devem continuar a ser discriminadas.
É lamentável que em pleno século XXI o Vaticano teime em não se conciliar com a natureza sexual da humanidade, ao contrário do que já fizeram outras Igrejas. Torna-se difícil não ofender a fé dos católicos e levar a sério uma hierarquia que teima em fechar os olhos a uma realidade básica da natureza humana: que o pecado da ironia me seja perdoado.
J. Gomes Gonçalves

publicado por quadratura do círculo às 18:01
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