Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2005

Luís Santiago - "Os Presidencíadas" (Parte II)

CANTO TERCEIRO

Autocrítica do Autor

P’ra rima compor do verso quebrado
Usei variadas interjeições,
Eu, porém, sou o Luís Santiago,
Não sou o vate Luís de Camões.



CANTO QUARTO


O Terrível Adamastor

I
Àqueles do Contra – Informação
Que, (mal!), m’apelidaram d’Acabado
Provei ser como a Fénix Renascida,
Regressando, sim, entusiasmado,
Sem ser da política profissão,
Mas, de muita gente reconhecida
Responder ao seu nobre chamamento,
Para a Nação salvar do sofrimento.


II
Chegarei pensando no Orçamento.
Apanágio é servir o Estado
Pela gestão de lusos governantes
Que são os lídimos representantes
Desta nobre Nação bem gloriosa.
Sou um talentoso economista,
Porém, não caio em doces cantigas.
Não tenho jeito algum para fadista.

III
Lembram-se do meu veto ao Carnaval?
Só prova que não sou p’ra brincadeiras.
Com perfídia andam a’firmar
Que eu não serei de boas maneiras.
Eu não sou simpático, pois não sou,
E não venho pra’qui para brincar.
Lembram-se do ministro? Borregou?
Não tive dúvidas! Foi posto a’ndar.
IV
Não estou ligado a grandes broncas
Mas tive nos idos Governos meus
Um culto Secretário de Estado
Que trocou Mozart por Chopin, coitado,
Questão entre piano e violino
Que não lhe ensinaram em pequenino
E com que jornalistas mais sandeus
Brincaram. São umas cabeças tontas!

V
Um ministro que se esqueceu da sisa.
Uma ministra que empregou a Mãe
Como a Secretária - Geral
Do ministério em que mandava.
Uns deslizes, coisa pouca afinal
Pois bem sabem qu’eu nunca me enganava,
Era raro ter dúvidas também,
Porque sou uma pessoa precisa.

VI
Não simpatizo com a monarquia,
Mas, planeei o Centro Cultural
Considerada obra faraónica,
Mais parecida com uma mastaba,
Construída p’ra minha serventia.
É um orgulho bem nacional
Para animar a cultura bastava,
De vez em quando, ouvir uma sinfónica.

VII
E vou aproveitar este feitio
Para vir mudar o que é preciso
As minhas lembranças já são passado.
Tenho a ver com o Primeiro-Ministro,
Não com os Secretários de Estado.
Sou inflexível? Digo e insisto
Que, pessoalmente, não sou nada macio,
Mas tenham a certeza, vou ter siso.

VIII
Que os poderes presidenciais,
Prometo, vou usar com parcimónia,
Porque eu sou um Homem de cerimónia,
Tenho umas questões essenciais.
E não tenho dúvidas do seguinte:
Não vou tornar o País num pedinte,
Muito menos o fecho para balanço
Pois, ao Primeiro não darei descanso!

IX
P’ró Governo olharei bem vigilante,
Este não se afastará um instante
Das linhas do meu amado Orçamento.
Aqui presto um nobre juramento
Aos meus eleitores nacionais,
Sim, porei isto na ordem, nem mais,
Se a tal m’ajudar engenho e arte
Portugal estará em toda a parte






CANTO QUINTO

O Soviete Lusitano


I
Eu, aos camaradas trabalhadores,
Venho alertar p’ra perigos vários,
E, também aos pequenos empresários.
É que andam por aí uns rumores,
De que a esquerda está dividida.
Esta tão nobre acção decidida
De me candidatar foi mui dramática.

II
Democrática, de braço no ar
Dentro do nosso Comité Central
Do bem nosso glorioso partido.
Viva Portugal! Viva Portugal!
O Povo Português está sofrido.
As conquistas d’Abril recuperar
É a missão que me está reservada.
Camaradas! A Nação ‘stá cercada.

III
Eu, herói Soviete Lusitano
Aceito a missão humanitária,
De proteger a Classe Operária
Dos terríveis desígnios fascistas,
Do Adamastor e do Timoneiro,
Mas, outrossim, do Velho Restelo,
Que gizaram um maléfico plano
Para afastarem os Comunistas.


IV
O Povo Português está sofrido
Com esta política de direita.
Sim meus camaradas trabalhadores!
Chefiado por este novo Grego,
Este executivo dalguns traidores
Aos ideais dos capitães de Abril,
Seguindo as politicas fascistas,
Está a pôr-nos a todos no prego.


V
Tirou-os as conquistas alcançadas
Para no bloco europeu dar nas vistas.
Nos apresenta‘o plano tecnológico
P’ra reforçar tamanhas patacoadas.
É um caso sério, patológico.
Estragar o Natal e consoadas.
E nem o Terrível Adamastor
O conseguiria fazer melhor.

VI
Ai, Pátria minha a quem te entregaste!
Camaradas! Porque em nós não votaste?
Agora cometam o mesmo erro,
Votem no Velho ou no Timoneiro
E em breve não teremos dinheiro
Sequer para pagar’o nosso enterro
Gloria Mundi! Gloria Mundi!
Eu estou aqui! Eu estou aqui!

VII
Eu faço presidências abertas
Visito fábricas e refeitórios
Irei lançar ruidosos alertas
Contra as investidas do capital.
Denunciarei fascistas notórios
Que nos querem tirar as Liberdades
Com as canções e cravos conquistadas.
Ah1 do onze de Março que saudades!

VIII
Ó que saudades do onze de Março
Eu tenho. E juro por Jesus Cristo
Que a minha vontade eu não disfarço
De tomar muito rapidamente conta disto.
Mas inventaram o raio do voto.
Nas urnas será dada minha sorte.
Assim, ganhar é desejo remoto.
Ó antes a morte! Ó antes a morte!

IX
Se por acaso vier a ganhar
Estas tão preciosas eleições
O País votará, braço no ar,
Estendido, prevenindo abstenções.
Se por acaso vier a perder
Meus Camaradas! Iremos sofrer.
Que triste e vã, inútil, vil miséria
Partirei sozinho para a Sibéria.

(Continua)

Luís (de) Santiago


publicado por quadratura do círculo às 17:51
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