Terça-feira, 20 de Junho de 2006

Amália Lobo - Estatuto dos docentes

Embora o tema actual do País seja o mundial de futebol, o meu tema é o Estatuto da Carreira Docente (ECD). Quero dizer que também eu gosto de futebol (ainda há pouco vibrei com o Portugal – Irão), mas não posso esquecer o que se passa com o que tem sido uma das minhas paixões (não, não estou a plagiar alguns dos nossos primeiros ministros!) ao longo de mais de metade da minha vida O que me traz aqui hoje é um dos pontos da proposta do ECD, por me parecer dos mais incríveis, injustos, ….
Pois é, um dos pontos do projecto de ECD, pode traduzir-se no seguinte: se um professor faltar mais de 5 dias durante todo o ano lectivo, não progride na carreira durante os 2 anos lectivos seguintes. Nesses 5 dias estão incluídas as faltas dadas: (1) por um qualquer motivo de saúde do professor, que não seja considerada doença crónica, como um cancro, ou outra do género. Ora, será que os professores não têm constipações, gripes, dores de dentes e tantas outras coisas mais, como os comuns dos mortais? (2) se algo acontecer a alguém seu dependente, um filho, um pai, uma mãe ou qualquer outra pessoa idosa (ou não, seu depende); (3) quando no seu caminho para a escola ocorrer uma avaria no meio de transporte que utiliza (próprio ou não); (4) por ter que ir a uma consulta médica a uma hora que coincide com as suas actividades lectivas, sem alternativa, pois o médico não poderá vê-lo a outra hora; (5) se um professor acompanha uma ou várias turmas a “visitas de estudo” com os alunos no contexto de ensino/aprendizagem (numa manhã ou numa tarde o professor pode ter que faltar noutra(s) turma(s)); (6) quando assistir a uma palestra ou a uma conferência sobre um determinado tema, é de todo o interesse para os alunos no âmbito do contexto de ensino/aprendizagem da disciplina; (7) se, no âmbito da sua autoformação, científica e /ou pedagógica, o professor pretender assistir a um curso, um workshop, um congresso, …. Que será da Educação, do conhecimento e competências que os alunos devem aprender com os professores, se estes, todos, mas nomeadamente os do 3º ciclo e secundário, não se forem actualizando, quer em termos científicos, quer pedagógicos? A maior parte dessas actividades não acontecem em período não laboral. Além disso, é fundamental não esquecer que, para um professor leccionar, devidamente, 10 aulas de 90 minutos, gasta, nunca menos de 30 horas para prepará-las (preparar os conteúdos e forma de apresentá-las, fichas de trabalho e respectiva correcção, actividades experimentais, no caso das disciplinas de Biologia, Física e Química, …) se não mais. Sem falar no desgaste físico que, nomeadamente nos tempos que correm, provoca dar uma aula; (H) muitos mais exemplos poderia aqui deixar, mas fico-me por aqui.
Sou completamente contra os professores que faltam “por dá cá aquela palha” .
Contudo sendo professora há mais de 30 anos sei que aqueles constituem uma minoria, no meio dos milhares que somos. Tal como eu, há muitos professores que passam anos sem dar uma falta, mesmo penalizando outros aspectos da sua vida, e dando ainda aulas extra (gratuitamente) quando lhes parece necessário.
É não só como professora que falo, mas também como mãe e encarregada de educação de filhos em idade escolar. Fiz toda a minha formação, desde a primária até ao mestrado, no ensino público. Considero que foi tão bom ou melhor que o das melhores escolas privadas que existiam! Contudo, neste momento temo pelo futuro dos meus filhos, que têm que frequentar o ensino público, pois não tenho possibilidades económicas de os ter numa escola privada. Assim como receio pelo futuro do nosso País que, se já agora está em crise, como será quando no mundo do trabalho estiverem os jovens de hoje, adultos de amanhã, que agora frequentam as nossas públicas, e os que vierem a frequentá-las? O que todos deveremos exigir à Srª Ministra é que legisle sem demagogias, com conhecimento real do que se passa e se consegue ensinar nas escolas. Temos obrigação de exigir à Sra. Ministra, para todos, uma Escola de Exigência e Qualidade. Sem Conhecimento, sem Cultura, sem Valores, sem Educação, sem as Competências que este mundo em acelerada evolução exige, ficaremos cada vez mais na cauda da lista dos países que se dizem não pertencerem ao terceiro mundo. (...) Teremos maior insucesso e exclusão social, económica, profissional, … . Obriguemos a Srª Ministra ou a mudar de rumo ou a deixar o seu lugar!
Amália Lobo

publicado por quadratura do círculo às 17:37
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