Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

Luís Santiago - Jesus Cristo por aí

Jesus Cristo anda por aí, (em Lisboa), mas não é político profissional. Cavaco Silva não é político profissional e anda em Lisboa. Pela lógica das afirmativas, em filosofia, Cavaco Silva é Jesus Cristo. Mas não é. A Verdade situa-se num ponto do Mapa em que as coordenadas são os factos em si mesmo considerados e a forma como os vemos e interpretamos. E em virtude de interpretarmos os factos, normalmente, como nos convêm, a Verdade nunca está no lugar certo. Para que conste, considero-me cristão, mas não sou um bom cristão. Só me lembro de Jesus Cristo quando estou enrascado. De resto vou vivendo a minha vidinha... Também, para que conste, já ultrapassei, há muito, o meio século de Vida. Sei o que não sei por experiência própria. Saber de experiência feito no dizer de Luís de Camões. Esclarecimentos à parte, vou tentar atrever-me a tecer alguns comentários sobre o passado próximo “Prós e Contras”, de 7 de Novembro de 2005. Há poucas sessões atrás critiquei a jornalista Fátima Campos Ferreira, pessoalmente e por escrito, por atitudes que não me agradaram; hoje, dou-lhe os meus parabéns e agradeço-lhe, empenhadamente, os momentos felizes que passei em frente da “caixa”. Dom José Policarpo proporcionou-nos momentos de glória no pensamento ecuménico, acompanhados de uma grande humildade. Que falta a muitos, graças a Deus! O ilustre papabile português seria, sem dúvida, um Papa Bento (O Ungido); (Benedito - O Bem vindo) sem as preocupações materiais de calçado e fatos da moda do actual. É pena o vício de fumar. Quem não tem defeitos no rebanho do Senhor que atire a primeira pedra... O Professor José Barata Moura foi o catedrático de serviço. Exigência na precisão catedrática da terminologia empregue por Maria José Nogueira Pinto. Esqueceu-se o ilustre Professor de que não estava na Faculdade a dar uma aula teórica. Pensadores há que julgam que o Saber é uma pertença exclusivamente sua (deles). Coitado do Sócrates (do filósofo, claro). Apanhado por uma “aluna” inteligente numa pergunta directa sobre o conceito de Revolução, o Professor hesitou, disfarçou com alguma dificuldade e falou-nos de um conceito teorizante de Revolução, contrariamente, ao que a hesitação, por instinto, me fez anteceder o que o Senhor iria dizer, julgando eu, conhecer as linhas básicas do seu pensamento revolucionário. Afinal, eu, pobre mortal não catedrático, estava enganado. Passou o Senhor Professor pela Revolução Linear como patas de gato sobre brasas incandescentes. Eu compreendo-o... mas não aceito. A frontalidade, para mim, não é distribuída em doses; ou é-se ou não se é. A Drª Maria José Nogueira Pinto não me pareceu a Mulher do “Rato Mickey”. Amoleceu, não foi ao combate. Ou então desistiu estrategicamente para não arrostar com a catedrática ira do Senhor Professor. Eu fiz esta leitura que é, afinal, tão discutível como tudo o que é teórico. Mas, volto ao caldo quente que esteve delicioso. A Revolução é movimento. A Cultura é movimento. Tudo o que Arquimedes e Galileu Galilei nos ensinaram é movimento. A Vida é movimento e tal qual esta me ensinou, não dou o que quer que seja, nem por adquirido, sequer por definitivo. A Cultura de cada Povo está geograficamente identificada. A Cultura Global é o conjunto geográfico das Culturas Autóctones, não é a soma destas. Aliás, este conceito está profundamente ligado ao conceito de Nação. A Sociedade das Nações é o conjunto das Nações, não a sua soma. As Culturas, tal como a água e o azeite, não se misturam. O azeite vem ao de cima porque é mais denso. É esse o mal do Multiculturismo por aculturação de que tanto se fala (termos técnicos sociológicos para tecnocratas). Quem é o azeite? Quem é a água? Quem decide quem é o azeite e quem é a água? Ninguém sabe. Se repararem, a água e o azeite já existem. A sua existência não depende de decisão. O Multiculturismo por aculturação não existe, poderá isso sim, existir, algures, uma fórmula para a coabitação. A aculturação é uma tentativa da sociedade dominante subjugar, pela negação do acto de (a)culturar, a comunidade emigrante enfraquecida. O hospedeiro a tentar assimilar o hóspede, porque não se sente bem com a existência do vírus... O hóspede viroso começa por ser tratado como células malignas com o antibiótico da força. A força gera a reacção do recurso à violência. São passos lógicos e de interacção instintiva, tal como o Corpo Humano rejeita um corpo estranho, combatendo-o... Mas existe o combate com soluções médicas que auxiliam a reacção para a mudança. Os emigrantes, vistos globalmente, não são células malignas no Corpo Social, mas, infelizmente, alguns serão. O Multiculturismo por aculturação não existe e a violência da aculturação combate-se com políticas de integração, preparando o Corpo Social para os elementos invasivos. O remédio para a eficácia das políticas da integração é a tolerância. Mas atenção, a tolerância tem dois sentidos e é nesse ponto que se deve ser firme. As interpretações da Bíblia, do Corão e do Talmude têm de se conciliar no patamar da dignidade. Sem estarmos conscientes disso não há tolerância que resista. A própria tolerância tem de questionar-se permanentemente e estar sujeita ao movimento da evolução. O Universo não permaneceu, nem permanecerá imutável. Questiona-se. Desde os primeiros hominídeos até ao homem moderno passámos por várias revoluções (evoluções) genéticas. O Homo Neandethalensis de ontem não é o Homem Moderno de hoje. As Sociedades primitivas localizadas deram lugar à Sociedade Global. Na Comunicação Social, a ambição de Gutemberg já foi ultrapassada há muito. Estamos na Era do Instantâneo. O que acontece aqui, minutos depois sabe-se acolá. É um desassossego. Voltando à terra e ao limbo dos pensadores, gostaria de vos pedir a atenção para o facto de que Revolução, tal como a Cultura, acontece todos os dias, horas, minutos e segundos de mutação. Se Vladimir Illitch Ulianov Lenine cá estivesse hoje, tendo passado pela II Guerra, pela construção e derrube do muro de Berlim, vendo a sua Mãe Rússia desagregada numa série de Nações, exporia os seus sonhos do socialismo utópico ao socialismo científico com os mesmos fundamentos? Ou meteria pura e simplesmente o socialismo na gaveta? Ou Engels, nas suas cartas a Karl Marx falaria da necessidade de não deixar livros por ler? Provavelmente, dir-lhe-ia: “Enquanto te faltar um “w.w.w.” por ler, sabes nada”. Que diria hoje Karl Marx da sua “querida” Revolução Industrial? Temos o dever de nos protegermos do Homo Sapiens aculturado, acomodado e infeliz. Daí concluiria (se calhar entre esta hora e outra seguinte a minha conclusão já estará ultrapassada) que alguns pensadores não têm a humildade socrática (não é a humildade do nosso primeiro-ministro, mas a do filósofo grego. La Palisse diria que se Sócrates não nasceu em Atenas não é grego...), de saber que nada sabem e continuam a massacrar-nos com Mao Tse Tung e a sua (dele) Revolução Cultural de que tivemos um indefectível seguidor num nosso primeiro-ministro que afinal sempre evoluiu para Presidente da Comissão Europeia. Tudo muda, tudo se move à volta da Terra, (Galileu soube, cedo demais, e isso saiu-lhe caro). É a Vida, como diria sabiamente outro nosso primeiro-ministro que também partiu para a ONU. Para concluir, nós, como seres humanos, só aprendemos o que estamos natural e interessadamente dispostos a aprender, não o contrário. O Mundo é uma arena. Os humanos são os palhaços, divertem e desafiam os Deuses. Os Deuses acham graça, aplaudem e riem-se, porque os Homens, que são a Humanidade, são actores autistas, só olham para umbigo, convencidos da sua excelente performance e não aceitam as sugestões que os Deuses lhes sopram ao ouvido...
Nota final: ouvi há pouco na rádio que o coração de um árabe prolongou a vida a um judeu. Afinal, há esperança, ainda há humanos que ouvem os Deuses!
Luís Santiago
publicado por quadratura do círculo às 20:05
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