Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005

Fernanda Valente - Direito a um candidato

Tem razão o Dr. António Pires de Lima, quando afirma que os cidadãos eleitores não deveriam ser obrigados a votar num determinado candidato, como mal menor, por exclusão da participação de outros candidatos no próximo acto eleitoral. Ambos os secretários-gerais dos dois maiores partidos do espectro político nacional são de opinião de que a candidatura presidencial é uma candidatura unipessoal, não partidarizada, reservando-se cada partido o direito de apoiar oficialmente o candidato que mais afinidade tem com a sua esfera política, propondo-se este último, por outro lado, aceitar aquele apoio, evocando sobretudo a questão da logística (vamos fingir que acreditamos neste raciocínio ecléctico, tal qual o céu é azul, os prados são verdes e os pássaros aves).
A possibilidade que é dada a outros candidatos, militantes partidários, de igualmente concorrer à eleição presidencial sem ser alvo de sanções disciplinares por parte das direcções dos seus partidos, traduz uma certa forma de estar em democracia que merece ser apreciada e devidamente saudada. O partido socialista ao aceitar a candidatura de Manuel Alegre, embora não o apoiando, deu aos seus militantes a possibilidade de escolher o seu candidato preferencial do universo político da esquerda, sendo que com essa posição (ou táctica) ainda esperará colher porventura alguns votos do eleitorado do centro-esquerda para o Dr. Mário Soares (…?), contrariamente à leitura feita pelas sondagens que asseguram fidelidade a Cavaco Silva, da parte desse eleitorado.
Vejo com bons olhos uma candidatura à direita do Dr. Paulo Portas e até mesmo do Dr. Pedro Santana Lopes, porque não? Neste último caso, e dependendo do apoio que gera PSL dentro do PSD, enterrar-se-ia definitivamente um mito, ou então, assistiríamos ao ressurgimento do animal político que nele sempre existiu, a exemplo do político que faz da política, enquanto ciência da comunicação para as massas, a sua profissão - isto para cabal esclarecimento do Dr. Mário Soares -.
Dizer-se que a oferta de candidatos presidenciais, à esquerda ou à direita, não contribui para a tranquilidade ou estabilidade do nosso sistema político, é um acto anti-democrático e um atentado à inteligência do cidadão eleitor, sobretudo do cidadão eleitor que não é militante partidário, mas que professa uma cultura de voto baseada na razão e não na emoção, privilegiando os interesses do país em detrimento dos seus próprios interesses, e de quem todo o político corre atrás, vulgarmente rotulando-o de eleitor do centro.
Fernanda Valente

publicado por quadratura do círculo às 18:30
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