Um exemplo do Estado de Direito em que vivemos:
Um artigo publicado no Expresso do dia 26 de Fevereiro de 2005, na sua revista Factual, assinado pelo Sr. António Henriques, muito interessante de resto, deixou-me perplexo e leva-me quase a pôr em dúvida a exactidão dos dados nele contidos.
O artigo, intitulado e cito " Bustorff autorizou corte de Aqueduto", dá uma resenha sobre algumas das acções de despacho elaboradas sobre aspectos do troço da CRIL Buraca-Pontinha.
Desse artigo relevo, por ser importante e definitivo, que a Sr.ª Ministra da Cultura, certamente melhor informada de que quando era apenas uma das 10 mil signatárias dum abaixo-assinado que exigia a sua preservação, elaborou uma delegação de poderes que, por omissão, permitia o corte do Aqueduto.
Este foi, se verdadeiro, apenas mais um acto no conturbado processo de construção do troço da CRIL.
Mas o que importa reter deste complicado processo de construção é o seguinte:
- Se houver vozes, credíveis e respeitáveis, que se levantem hoje contra o eventual atentado ao Monumento Nacional que é o Aqueduto das Águas Livres e tiverem algum sucesso (o que é duvidoso), honra lhes seja feita pois, mais vale fazer proteger um Monumento do que as pessoas, moradores, que vão ser espoliados da pouca qualidade de vida que possuem, pela maneira como vai ser construído este troço da CRIL e, cujo protesto de nada valeu.
Num Estado de Direito, no qual dizem vivemos, talvez o protesto contra a descaracterização dum Monumento Nacional tenha mais valor que o protesto de centenas de pessoas (incluindo os seus representes locais) contra a degradação da sua qualidade de vida.
Um Monumento é uma marca do passado que importa realçar como fruto de engenho do povo que o ergueu; as pessoas são o presente e o futuro de um país e, por isso, não podem, não devem valer menos que um Monumento.
Rui Silva