Quinta-feira, 22 de Julho de 2004
É de lamentar que quando um Presidente da República tem de tomar uma decisão importante para o País, logo uma massa de iluminados se manifeste, nas ruas, tentando forçá-lo a assumir uma posição, que é a deles.
A recente demissão de Durão Barroso e os problemas que daí advieram, veio mais uma vez comprovar a falta de democracia existente em algumas franjas do eleitorado que, conquanto sendo poucos, têm uma grande capacidade de mobilização e de manifestação da sua vontade.
Felizmente o PR não se deixou intimidar e tomou uma decisão que, só a ele competia, não violou minimamente a nossa Constituição e é por demais acertada se considerarmos que:
O PCP e o BE jogam na máxima de quanto pior melhor, visto que quanto maior for a insatisfação do eleitorado mais possibilidades têm de aumentar o número de apoiantes e de deputados.
O PS, após a demissão de António Guterres, contou com a figura de Ferro Rodrigues para tapar o "buraco" no lugar de Secretário Geral, o qual não tinha o apoio da maioria dos Socialistas. Ferro Rodrigues deveria estar grato a Jorge Sampaio por não ter convocado eleições antecipadas, já que teriam sido um desastre para o PS, para o País e para ele, pois seria pouco provável o partido chegar às eleições sob a sua liderança, dadas as guerras internas, sendo assim duvidosa a obtenção de maioria PS no Parlamento.
As actuais candidaturas de José Socrates, José Lamego, João Soares e as mais que virão, atestam da falta de unidade existente no partido e da ausência de uma figura de peso disposta a dar a cara.
Também, o constante invocar do nome de António Guterres como candidato ideal da esquerda à Presidência da República é má estratégia, dados os maus governos que liderou, o estado em que deixou o País e o modo como abandonou o cargo. O que seria de Portugal se António Guterres fosse actualmente Presidente da República?
As reacções de Ana Gomes, são outra demonstração pública da falta de democracia e apontam para uma relação interna de compadrio e protecção da incompetência, sendo as atitudes daquela socialista, por demais, prejudiciais ao partido e a quem ela apoiar.
No PSD, Santana Lopes não seria o ideal para Primeiro Ministro de Portugal, mas pelos vistos foi o possível, resta-nos esperar para ver. Embora com muitas dúvidas, esperemos ver algo de bom para que o nosso Portugal não tenha apenas alegrias a custas do futebol.