Terça-feira, 29 de Novembro de 2005
Dedicatória
Ter um Poeta presidenciável
A tão alta e bela magistratura,
Oh! Musa inspiradora irrecusável
A tão belos versos dá cobertura!
E em dez cantos vou tentar cantar
Tão insigne epopeia nacional,
Assim m ajudem as musas do mar
A fazer História de Portugal.
Aos vindouros, os meus queridos netos!
A quem quero cantar esta epopeia,
Ensinar que o quadrado dos catetos
Não é uma hipotenusa sereia
Luís (de) Santiago
CANTO PRIMEIRO
O Velho do Restelo
I
Aqueles que ora me chamam de Velho
Ai, não serão lá muito inteligentes!
Pensam que eu não os ouça conspirar?
Pois fiquem sabendo que estou bem perto
Da manuelina Torre de Belém
Olhando o Palácio do mesmo nome.
Claro! Onde pró ano irei morar
E presidir às portuguesas gentes!
II
Não sou Velho, nem moro no Restelo,
Não pertenço à aristocracia,
Apesar de Alegremente afirmarem
Que simpatizo com a monarquia,
Mas ao fado da Nação stou ligado
Para a defender do Adamastor
Da direita do Centro Cultural;
E de tão má sorte se libertarem.
III
É que eu estou muito bem acordado,
Não ando a fazer perguntas ao vento.
Às portuguesas gentes presidir
Ai, eu sonho sem estar a dormir.
Os tempos da descolonização
Exemplar já estão bem no passado
Já fazem parte da nossa memória,
Se me deixarem, cantarei vitória!
IV
Do Adamastor cuide-sa Nação
Que se dobrará a seus pés sem glória.
O grego antigo morreu com sicuta
O actual, vejam só, nem dá luta.
Sou eu o Pai da Pátria formosa
Com mais tempo de serviço político
Melhor que comunistas e trotskystas
Conheço os ideais do nosso Povo.
V
Por isso, por missão, estou cá de novo.
A Ele todos os dias critico,
Duma forma mordaz e talentosa.
A bem da Nação! A bem da Nação!
Aqueles que por obra corajosa
Se vão afastando da Constituinte
Comigo terão a ocasião
De transformar o País num pedinte.
VI
Não estou nada, nada satisfeito,
Com o rumo das minhas sondagens, não!
Eu, atrás do Alegre Timoneiro?
Ai! Ai! Senão fosse muito patético
Seria um humor quase brejeiro.
Minhas musas não me abandoneis
A tão triste desconsideração.
Ficarei na galeria dos Reis?
VII
Dos inimigos livrai-me da sanha
Das minhas memórias já passadas.
Já lá vai a saga dum outro Zenha
Cujo mar Salgado foi bem cantado
Por um Poeta Fernando Pessoa
Que era sensível e poético.
Não é como este, um interesseiro
Que me quer tirar o lugar. Patético!
VIII
Eu sou o suporte desta Nação,
Pois fiz a integração Europeia.
Não sei falar francês como o Barroso
E juro que não pertence ao meu clã.
O Adamastor está acabado.
Se eu não ganhar. Óh, glória vã!
Espero que o Alegre Timoneiro
Me substitua de modo honroso.
IX
À primeira não há Adamastor.
É minha sincera opinião.
Ai! Estamos cá todos por Amor
Plo bem desta gloriosa Nação.
Não interessa se bem ou se mal,
Mas, para mim é um grande tormento
Não poder proteger est Orçamento
Dos não profissionais de Portugal.
CANTO SEGUNDO
O Alegre Timoneiro
I
Pois eu sou o Alegre Timoneiro,
Parti na Nau Soares par Argel,
Pró pé da gente da nação moirama.
Sou um Poeta, não sou um Pintor
E peguei na pena, não no pincel.
Minha luta é contra o Adamastor
Que nos quer tão bem fazer uma cama,
Dando-nos um bom chuto no traseiro.
II
Preocupado, não poder dormir
É uma coisa que me não acontece,
Mas, não obsta a que esteja vigilante
E tão hedionda trama impedir,
Para o País não cair nas garras
De tão perigosa gente ululante,
Tenebrosa Direita Nacional.
Meu peito lusitano não esvanece.
III
Na Nau de São Soares embarquei
E nela fiz uma rebelião,
Editada em filme intitulado
Revolta na Bounty? Não, no PS...
Em triste e vergonhosa confusão
Ingenuamente me coloquei.
Tão ingénua, ingenuamente
Que me vou datravessar Gibraltar.
IV
Que me vou datravessar Gibraltar
Cantar de novo esta Nação Valente.
Sou Poeta do Mar, sou diferente.
Ao remoque do Senhor do Restelo
Sobre a minha alma de ser poético
Responder bem gostava de fazê-lo.
Para quê? Aqui quem é o patético?
Eu não quero ser Rei de Portugal!
V
Meu inimigo é o Adamastor.
Esperam por mim maiores tormentas
Ao leme desta Nau descontrolada.
Contra ventos e moinhos lutar,
Defender a minha Pátria amada,
Que tu, vil Direita, não acorrentas
Sem por cima do meu caixão passar!
Eu não quero ser Rei... Só Timoneiro.
VI
Se a tal dever, Pátria, me obrigas,
Cairei como herói, sim, ferido,
Apesar de dever nada ao partido,
Nem os trinta anos de deputado,
Pois que quem não deve também não teme.
Sinto a obrigação de estar ao leme
Não deixar o País abandonado.
Defendê-lo mesmo só com cantigas.
VII
Das calúnias com que arrostarei,
Inclusive, os ódios soarentos,
Morrerei qual Joana na fogueira
Das lusas vaidades que despertei?
Poesia e bem aventurança
Do sonho do meu colega Cervantes,
Por entre as tempestades e os ventos,
Nada, enfim, ficará como dantes.
VIII
E a curva da pança do Dom Sancho,
Aio de La Mancha o Dom Quixote,
Proeminente sinal de abastança
Com que vive a incúria nacional,
Será para o Poeta o mote
Para cantar novas do meu País.
E em versos de antanho direi:
Depois desta, fechamos pra balanço.
IX
Os versos da minha candidatura
À Pátria formosa e não segura
Ai! Ficarão nos anais da História
De tão pobre atribulada política,
Campanha de triste nome da crítica
Que alguns candidatos sabem fazer
Aos que da Pátria querem a Glória.
Nota do Autor: Trata-se de um texto de ficção. Qualquer semelhança dos personagens neste texto referidos, com a realidade, é pura coincidência.
(Continua)
Luís (de) Santiago